Glenn Greenwald diz que não pretende sair do Brasil e que ficará para "defender a imprensa livre"

Glenn Greenwald diz que não pretende sair do Brasil e que ficará para "defender a imprensa livre"

Jornalista disse que denúncia é "abuso de poder" e prometeu novos conteúdos sobre a Lava Jato

Correio do Povo e Rádio Guaíba

Jornalista afirmou que toda sua família tem possibilidade de se mudar para os Estados Unidos

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O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, denunciado pelo Ministério Público Federal durante a semana por suposta participação no caso hackeamento de autoridades, garantiu em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, que não tem intenção de sair do Brasil. “Eu posso sair desse país com meu marido e meu filho no momento em que quisermos, mas nunca faremos isso porque ficaremos defendendo a democracia, a imprensa livre. Não temos medo o suficiente para fugir”, afirmou.

Ao apresentador Juremir Machado, Greenwald relatou que desde o início da publicação de uma série de reportagens sobre a Operação Lava Jato, ele e seu marido, o deputado David Miranda (PSol), têm recebido ameaças de morte: “Obviamente, sou humano e quando você recebe ameaças com muitos detalhes de sua vida você leva isso a sério. Em março de 2018, uma das nossas melhores amigas, a vereadora Marielle Franco, foi brutalmente assassinada”, comentou, explicando que há mais de um ano sua casa tem segurança reforçada.

O norte-americano radicado no Brasil voltou a defender que a denúncia assinada pelo procurador da República Wellington Divino de Oliveira, é “um abuso de poder”. “Jornalistas e organizações em defesa da liberdade de imprensa estão falando. A Polícia Federal concluiu sua investigação e publicou um relatório falando bem claramente que eu não cometi nenhum crime. Pelo contrário, sempre fiz meu trabalho com muita responsabilidade para evitar qualquer crime”, avaliou.

Contundo, Greenwald afirmou que não tem “evidência concreta para dizer que o Sergio Moro ou o Jair Bolsonaro foram envolvidos nessa decisão”. “Eu sei que Bolsonaro já ameaçou várias vezes com prisão e sei que o procurador tentou criminalizar críticas ao Sergio Moro feitas pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil”, disse, garantindo que não vai parar de publicar o conteúdo. “Temos muito para publicar, mas não podemos correr. Todo o material que nós publicamos nós podemos confirmar e colocamos no contexto certo. Muitas vezes, isso exige muito trabalho, pesquisa. Estamos publicando quando está pronto jornalisticamente da forma responsável”, explicou.

Greenwald evitou comparações com o caso de Julian Assange, o fundador do site WikiLeaks, mas apontou que há semelhanças. Para ele, o mais parecido é que, quando a ex-militar do  Exército dos Estados Unidos Chelsea Manning divulgou informações sigilosas ao australiano, ela já tinha todo material. “Assange simplesmente recebeu, e o governo inventou uma teoria para alegar que ele participou do crime, que já havia ocorrido antes dele falar com a fonte. A mesma coisa no meu caso, é impossível que eu participei desse hackeamento”, disse.


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