"Estes policiais em rebelião estão tentando entrar aqui, no meu quarto, pelo teto", declarou o presidente ao denunciar que soldados estariam invadido seu quarto no hospital de Quito. "Se alguma coisa acontecer comigo, a responsabilidade é deles. Quero apenas dizer que meu amor pela pátria é infinito e que, onde estiver, sempre amarei a minha família", acrescentou.
Correa foi alvo de gás lacrimogênio
Mais cedo, Rafael Correa deixou o principal quartel policial de Quito em meio a distúrbios e uma nuvem de gás lacrimogêneo depois de tentar conter um protesto de policiais. Apoiado numa muleta, já que foi submetido há pouco a uma operação no joelho, o presidente conseguiu sair do quartel usando uma máscara de proteção e ajudado por seguranças depois da explosão de várias bombas de gás lacrimogêneo.
Correa foi levado para o hospital da polícia, onde foi atendido com sintomas de asfixia pelo gás. Do lado de fora, dezenas de policiais continuavam protestando. O presidente advertiu aos policiais que não cederá ante os protestos da polícia. "Não darei nenhum passo atrás. Se quiserem, tomem os quarteis, se quiserem deixar a cidadania indefesa e se quiserem trair sua missão de policiais", afirmou Correa .
"Se quiserem matar o presidente, aqui estou, matem-no se tiverem vontade, matem-no se tiverem poder, matem-no se tiverem coragem ao invés de fiar covardemente escondido na multidão", afirmou ainda. "Se quiserem destruir a pátria, aí está! Mas o presidente não dará nem um passo atrás".
Nesta quinta, a sede do Congresso do país foi tomada por policiais que protestam contra a lei que cortou benefícios econômicos aos membros da instituição e das Forças Armadas. A informação é da porta-voz do Legislativo, Julia Ortega. Um grupo de cerca de 150 militares também bloqueou nesta manhã a pista do aeroporto internacional de Quito. O local teve de ser fechado por razões de segurança.
Estados Unidos acompanham a situação de perto
Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, os Estados Unidos acompanham de perto a situação no Equador. Já o presidente venezuelano, Hugo Chávez, alertou os países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) de que estão tentando "derrubar" seu colega equatoriano Rafael Correa.
A chancelaria argentina divulgou uma nota em apoio ao presidente do Equador. No documento, a o governo expressa "profunda preocupação pelos acontecimentos protagonizados hoje no Equador pelos militares das Forças Armadas e pelos policiais nas cidades de Guayaquil e Quito. A chancelaria testemunha sua confiança na constitucionalidade democrática do país irmão e na autoridade politica do presidente constitucional, Rafael Correa Delgado".
A chancelaria também manifesta esperança de que seja encontrada a melhor solução para o conflito, "em defesa dos altos interesses do povo e do governo equatorianos". A nota informa, ainda, que a chancelaria argentina está em permanente contato com as autoridades do governo de Rafael Correa, acompanhando de perto a situação.