Inventor de submarino admite que esquartejou jornalista na Dinamarca

Inventor de submarino admite que esquartejou jornalista na Dinamarca

Peter Madsen sustentava versão de que Kim Wall havia morrido de forma acidental

AFP

Peter Madsen sustentava versão de que Kim Wall havia morrido de forma acidental

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O inventor dinamarquês Peter Madsen, suspeito do assassinato da jornalista sueca Kim Wall a bordo de seu submarino em agosto, reconheceu ter esquartejado seu corpo - informou a Polícia dinamarquesa em um comunicado divulgado nesta segunda-feira. "Peter Madsen reconheceu que cortou seu cadáver e dispersou as partes do corpo na baía de Køge", cerca de 50 km ao Sul de Copenhague, declararam as autoridades.

Até então, Madsen negava ter mutilado o corpo da vítima e assegurava que a jornalista morreu de forma acidental, após ser atingida na cabeça pela escotilha de acesso do submarino. Segundo a Polícia, o suspeito afirmou posteriormente que "Kim Wall morreu intoxicada por monóxido de carbono no submarino".

Kim Wall era uma jornalista freelancer que trabalhava entre Nova Iorque e a China. Ela embarcou em 10 de agosto no submarino "Nautilus", ao lado do próprio inventor Peter Madsen, para fazer uma reportagem. Seu namorado denunciou o desaparecimento em 11 de agosto. No mesmo dia, Madsen foi resgatado pelas autoridades dinamarquesas em Öresund, entre a costa da Dinamarca e da Suécia, antes do naufrágio do submarino. Ele foi detido e indiciado por assassinato e atentado à integridade de um cadáver.

Em 21 de agosto, o torso de Kim Wall, cujos membros foram "deliberadamente seccionados", segundo a necropsia, foi encontrado por uma pessoa que estava na baía de Køge, 11 dias após o desaparecimento da jornalista. Depois, em 7 de outubro, a cabeça e as pernas da jornalista foram encontradas por mergulhadores.

A Polícia acredita que o inventor tenha provocado o naufrágio do "Nautilus" de modo deliberado. A embarcação foi erguida à superfície e examinada pela perícia. A acusação alega que Madsen matou Kim Wall para satisfazer uma fantasia sexual, depois desmembrou e mutilou seu corpo. A necropsia do torso não estabeleceu as causas da morte, mas revelou mutilações múltiplas infligidas na genitália da vítima.

Filmes "fetichistas" em que mulheres "reais" eram torturadas, decapitadas e queimadas foram encontrados em um disco rígido em seu estúdio. Peter Madsen nega ser o dono do material. Ele assegura que não houve relações sexuais entre eles e que seus contatos foram puramente profissionais.
A repórter colaborou com os jornais The Guardian e The New York Times e era graduada pela Escola Superior de Jornalismo da Universidade de Columbia. O Nautilus foi inaugurado em 2008. Com 18 metros de extensão, era naquele momento o maior submarino privado do mundo.

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