Johnson acusa UE de ameaçar seu país para modificar acordo de Brexit

Johnson acusa UE de ameaçar seu país para modificar acordo de Brexit

Críticas foram feitas nesta segunda-feira perante a Câmara dos Comuns, na abertura dos debates do projeto

AFP

Críticas foram feitas nesta segunda-feira perante a Câmara dos Comuns, na abertura dos debates do projeto

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O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, criticou nesta segunda-feira a "ameaça extraordinária" exercida pela União Europeia se as negociações comerciais pós-Brexit falharem para defender sua intenção de modificar o acordo Brexit que provoca uma rebelião em suas próprias fileiras.

"Eles ameaçam impor fronteiras alfandegárias por nosso próprio país" entre a Grã Bretanha e a Irlanda do Norte "e dividir nossas próprias terras", afirmou Johnson perante a Câmara dos Comuns ao abrir os debates de seu polêmico "projeto de lei do mercado interno".

Aproveitando a harmonização pós-brexit do comércio entre as quatro nações do Reino Unido, este texto modifica a aplicação de tarifas e controles alfandegários na Irlanda do Norte previstos no acordo de divórcio com a UE.

Esse tratado internacional, em vigor desde a saída do Reino Unido da UE em 31 de janeiro, prevê um dispositivo pelo qual aquela província britânica manterá as regras do mercado comum europeu para evitar a reimposição de fronteira com a vizinha República da Irlanda.

Seu objetivo é preservar a frágil paz que prevaleceu na ilha desde o Acordo da Sexta-feira Santa de 1998, que encerrou três décadas de conflito sangrento entre republicanos católicos e unionistas republicanos.

Autoridades europeias denunciaram os planos de Johnson como uma ameaça a essa estabilidade e pediram que ele os retirasse antes do final do mês, sob pena de ação legal.

Ele, entretanto, garante que sua intenção é justamente proteger a paz, defendendo os interesses dos unionistas irlandeses do norte. E apelou aos deputados para que defendam a "integridade", "soberania" e "liberdades" do país apesar de ter de violar o direito internacional.

Negociação comercial em risco

Começa assim uma nova crise político-diplomática na saga que começou com o referendo de 2016 que decidiu a saída britânica da UE.

Os cinco ex-primeiros-ministros britânicos vivos - John Major, Tony Blair, Gordon Brown, David Cameron e Theresa May - protestaram contra uma violação da lei internacional, o que prejudicaria a reputação do país e deixaria muitos legisladores do próprio Partido Conservador de Johnson desconfortáveis.

O Parlamento de Westminster, portanto, relembra os tempos da insurreição conservadora contra o governo por causa do acordo de divórcio com Bruxelas. A situação, contudo, é diferente agora: Johnson tem uma maioria esmagadora que lhe permite perder até 40 votos em suas fileiras.

Pelo menos uma dúzia de legisladores conservadores expressaram sua rejeição, do ex-procurador-geral Geoffrey Cox ao ex-ministro das Finanças e do Interior, Sajid Javid, ao deputado Rehman Chishti, que renunciou ao cargo de enviado especial de Johnson para a liberdade de religião.

Mais de uma centena pediu para intervir no debate desta segunda-feira, apesar do fato de a câmara estar quase vazia devido às medidas contra covid-19 e com muitos deputados acompanhando-a online.


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