Justiça italiana condena à revelia repressores envolvidos no Plano Condor

Justiça italiana condena à revelia repressores envolvidos no Plano Condor

Devido impedimentos burocráticos, justiça irá julgar separadamente 50 sul-americanos pelos mesmos crimes

AFP

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A Justiça italiana condenou nesta segunda-feira à revelia à prisão perpétua 24 repressores sul-americanos processados pelo desaparecimento e morte de 23 opositores de origem italiana no âmbito do Plano Condor, informaram fontes judiciais. Os juízes do Tribunal de Apelação em Roma consideraram um grupo de soldados e policiais da Bolívia, Chile, Peru e Uruguai responsáveis pela operação militar acertada entre as ditaduras sul-americanas nos anos 70 e 80 para sequestrar e executar os dissidentes.

Entre os condenados está o ítalo-uruguaio Jorge Tróccoli, ex-capitão de navio e portador de passaporte italiano, que participou da primeira audiência do julgamento realizado em fevereiro de 2015 e o único que reside livremente na Itália. Na lista de acusados aparecem o ex-ministro do Interior da Bolívia, Luis Arce Gomez, o ex-presidente do Peru, Francisco Morales Bermúdez, o ex-ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Juan Carlos Blanco. Todos foram condenados por homicídio voluntário agravado.

A condenação provocou empolgação entre o grupo de parentes e autoridades da América Latina que assistiram à leitura da sentença. "É uma sentença importante e estimulante para o Uruguai e para as vítimas", afirmou Miguel Toma, secretário da Presidência do Uruguai, que viajou à Itália para a ocasião.

A sentença foi proferida ao final de quatro anos e numerosas audiências, durante as quais surgiram depoimentos, especialistas, parentes e companheiros de prisão das vítimas. As investigações sobre a estratégia aplicada pelos regimes militares do Cone Sul foram iniciadas há mais de 15 anos, como resultado das queixas apresentadas na Itália por parentes de italianos mortos ou desaparecidos, entre eles a italiana Aurora Melloni, viúva de Alvaro Daniel Banfi, metralhado junto com outros militantes da esquerda em outubro de 1974 perto de Buenos Aires, na Argentina.

Devido a uma série de impedimentos burocráticos, a justiça decidiu julgar separadamente 50 argentinos, bem como vários paraguaios e brasileiros pelos mesmos crimes.


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