Nalvany celebra seu primeiro dia sem respiração artificial

Nalvany celebra seu primeiro dia sem respiração artificial

Em uma publicação em rede social, o opositor russo apareceu com sua esposa e filhos após ser envenenado em agosto

Por
AFP

Em uma publicação em rede social, o opositor russo apareceu com sua esposa e filhos após ser envenenado em agosto


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O líder da oposição russa Alexei Navalny afirmou nesta terça-feira que consegue respirar sem a ajuda de aparelhos, em suas primeiras declarações após ter sido envenenado em agosto na Sibéria, enquanto sua porta-voz apontou que ele retornará para a Rússia quando estiver recuperado.

"Olá, este é Navalny", afirmou o opositor em um post no Instagram, no qual aparece com sua esposa e seus filhos, sentado em sua cama no hospital de Berlim onde está internado. Ele disse a seus 1,7 milhão de seguidores que sentia falta deles.

"Ainda não consigo fazer quase nada, mas ontem eu consegui respirar sozinho o dia todo", contou Navalny, que parece ainda bastante debilitado na foto. "É um processo incrível e muitas vezes subestimado. Eu o recomendo", brincou, referindo-se ao ato de respirar.

A Rússia voltou a insistir que não tem nada a ver com os problemas de saúde do líder da oposição e novamente se desvinculou do envenenamento que, segundo seus médicos e três laboratórios europeus, se deve à ingestão de uma substância neurotóxica do tipo Novichok.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, pediu novamente às autoridades alemãs na terça-feira que enviassem o dossiê médico de Navalny e garantiu que seu país está "disposto a cooperar" neste caso.

Em uma ligação com seu equivalente alemão, Heiko Maas, ele também garantiu que não queria que o envenenamento do mais ferrenho oponente do Kremlin "se tornasse ainda mais politizado". A procuradoria alemã, porém, já indicou que o dossiê médico de Navalny só pode ser enviado à Rússia com a autorização do paciente.

O opositor de 44 anos, vítima de uma tentativa de envenenamento em 20 de agosto em Tomsk, na Sibéria, em breve poderá abandonar por completo a "respiração artificial", anunciou na segunda-feira o hospital Charité de Berlim, onde ele permanece internado.

Respondendo a uma pergunta da AFP sobre seu possível retorno à Rússia, seu porta-voz disse na terça-feira que é algo "que nunca esteve em dúvida". "Entendo a pergunta, mas acho estranho que se possa pensar" que ele poderia ir para o exílio, publicou no Twitter.

Nos últimos anos, vários opositores russos foram envenenados e outros mortos, mas as autoridades do país sempre garantiram que eles não tinham nada a ver com os ataques.

Não há Novichok na Rússia

Em 3 de setembro, um laboratório militar alemão concluiu que Navalny havia sido envenenado com a substância do tipo Novichok, criada para fins militares na época soviética. Laboratórios franceses e suecos confirmaram as conclusões alemãs, embora Paris e Berlim na segunda-feira tenham insistido novamente na necessidade de uma investigação russa também.

A substância neurotóxica já foi usada contra um ex-agente duplo russo, Sergei Skripal, e sua filha Yulia, em 2018 na Inglaterra. Para as autoridades britânicas, a inteligência militar russa é a principal suspeita.

De acordo com seus partidários, Navalny foi envenenado após uma viagem à Sibéria dedicada a apoiar candidatos nas eleições locais de 13 de setembro e a iniciar investigações sobre a corrupção das elites russas.

Excluído do cenário político e midiático nacional, o adversário conta com um grande número de seguidores e apoiadores nas redes sociais, principalmente entre os mais jovens, que valorizam sua investigação sobre o núcleo que cerca Vladimir Putin.

Até agora, Moscou se recusou a abrir um inquérito criminal sobre o caso, já que médicos russos afirmam não ter identificado nenhuma substância tóxica em seu corpo quando Navalny foi hospitalizado na Sibéria.


A Rússia também questiona a veracidade das análises alemãs e as vê como uma desculpa para a União Européia ameaçar a Rússia com novas sanções. Também afirma não ter reservas de Novichok, "destruídas de acordo com o protocolo e os regulamentos da Organização para a Proibição de Armas Químicas", disse o chefe dos serviços de inteligência, Sergei Naryshkin, segundo agências russas.