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Nicarágua proíbe evangélicos de celebrarem o dia da Bíblia nas ruas

Orientação do Conselho Nacional de Pastores foi para que data seja comemorada nos templos

Ortega está há 14 anos no poder
Ortega está há 14 anos no poder Foto : Cezar Perez / Presidência da Nicarágua / AFP / CP

O regime do presidente Daniel Ortega na Nicarágua também tem sido marcado pela intolerância religiosa. Segundo informações do site a Hora de Brasília, o país proibiu evangélicos de celebrarem os 453 anos da tradução da Bíblia nas ruas. A data foi no último domingo. 

Por conta da proibição, o Conselho Nacional de Pastores Evangélicos da Nicarágua enviou uma carta a líderes cristãos, orientando que as festividades sejam celebradas dentro dos templos. 

 “Através desta carta informamos que devido às orientações das autoridades civis, não será comemorado o 453º aniversário da tradução da Bíblia para o castelhano, eles expressam que o motivo é a segurança dos participantes, por isso convidamos cada um de vocês a realizar suas celebrações em seus templos, elevando orações a Deus para que possamos viver tranquila e pacificamente”, destaca o documento. 

Bloqueios 

Nessa segunda, a Nicarágua qualificou como criminosas as sanções e os bloqueios econômicos que enfrenta junto com outros países por rejeitar "o modelo imperialista". Também destacou a "dócil" indiferença dos organismos internacionais.

"É hora de seguir rechaçando os bloqueios criminosos, as agressões chamadas sanções, ilegais, arbitrárias, ilícitas que evidenciam a perversão de um sistema e um modelo imperialista e capitalista que se mantém e pretende continuar castigando e sangrando o mundo", questionou o chanceler nicaraguense Denis Moncada, em discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Moncada também reprovou o que considerou uma "dócil paciência dos organismos que deveriam defendê-los" destas sanções. Nos últimos quatro anos, Estados Unidos e União Europeia (UE) aplicaram sanções migratórias e econômicas a dezenas de funcionários, familiares e empresas vinculadas ao governo do presidente nicaraguense Daniel Ortega, por atos de corrupção e violação aos direitos humanos.

As medidas foram implementadas à raiz da repressão aos protestos opositores de 2018 que pediram a renúncia de Ortega, um ex-guerrilheiro de 76 anos que governa desde 2007, após três reeleições sucessivas. A última foi em 2021, sem adversários de peso, devido à detenção e exílio forçado de centenas de opositores, segundo denúncias da oposição. 

Segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, a repressão deixou ao menos 355 mortos. Já o governo de Ortega reconhece 200 mortos, entre eles, policiais e partidários que afirma foram vítimas da violência da oposição.

Ortega atribuiu os protestos a uma tentativa fracassada de golpe de Estado por Washington e rejeitou os relatórios emitidos pela OEA, organização da qual se retirou em 2022, e também pela ONU, que pedem respeito aos direitos humanos e a libertação de mais de 200 opositores presos, entre eles, sete ex-candidatos à Presidência da oposição.

Moncada não se referiu diretamente ao tema no discurso, mas qualificou essas ações de "imperialismo hipócrita". O chanceler defendeu uma ONU "que represente a todos" e se solidarizou à luta de países aliados como Cuba, Venezuela, Rússia, Síria, entre outros.