Opositores e governistas têm dia de protestos na Venezuela

Opositores e governistas têm dia de protestos na Venezuela

Alunos da UCV foram às ruas para denunciar a intromissão do governo na eleição dos reitores

AFP

Ao mesmo tempo, centenas de chavistas marcharam pelo centro da capital

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Estudantes universitários protestaram nesta quinta-feira contra o governo de Nicolás Maduro, em um momento em que as mobilizações opositoras perderam força na Venezuela, enquanto partidários do presidente socialista se manifestaram no centro de Caracas.

Com lemas como "autonomia para tirar a tirania", 400 jovens foram às ruas dos arredores da Universidade Central da Venezuela (UCV) para denunciar a intromissão do governo na eleição dos reitores. "Não podemos permitir que nas instituições educacionais as autoridades nos sejam designadas a dedo", disse à AFP Zeus Grafe, estudante de Economia de 18 anos.

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), oficialista, emitiu uma sentença em agosto de 2019 que pede para renovar por eleição as autoridades acadêmicas com mandatos vencidos, caso da UCV. "Poderão nos tirar o cargo hoje, não importa, mas jamais vão nos impedir de sermos 'ucevistas' sempre", exclamou na manifestação Cecilia García Arocha, reitora da UCV, denunciando a intromissão do TSJ em assuntos da universidade.

Trata-se da "vanguarda que não descansa", comemorou o líder opositor Juan Guaidó, que pediu articulação de vários setores sociais para 10 de março, dia no qual convocou uma "grande mobilização" em sua ofensiva contra Maduro. No entanto, Guaidó perdeu poder de convocação desde que se proclamou em janeiro de 2019 presidente encarregado da Venezuela, sendo reconhecido por meia centena de países. Passou de mobilizar milhares a centenas.

Paralelamente, centenas de chavistas, vestidos de vermelho e com bandeiras do partido, marcharam pelo centro da capital para celebrar o 'Caracaço', uma semana de distúrbios com saques e centenas de mortos que sacudiu a Venezuela há 31 anos. "Estamos comemorando a dignidade do povo", assegurou à AFP José Meneses, membro da Milícia, corpo civil adscrito à Força Armada. Para o miliciano de 52 anos "o povo acordou".

Números oficiais da época estimaram em 300 os mortos, enquanto investigações independentes elevaram a cifra a 2.000 em distúrbios entre 27 de fevereiro e 8 de março de 1989, após a implantação de um programa de ajustes econômicos do então presidente, o social-democrata Carlos Andrés Pérez.


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