Polícia dispersa protesto anti-máscara em Berlim com canhões de água

Polícia dispersa protesto anti-máscara em Berlim com canhões de água

Evento próximo ao Portão de Brandemburgo acusava o governo de Angela Merkel de querer estabelecer uma "ditadura" e a comparava até mesmo a Adolph Hitler

AFP

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A polícia alemã fez uso, nesta quarta-feira, de canhões de água em Berlim para dispersar uma manifestação de opositores das medidas restritivas impostas em razão da pandemia de coronavírus por causa de sua recusa em usar máscaras. Pouco antes, a polícia havia ordenado a dissolução desta reunião de entre cinco e 10 mil pessoas perto do Portão de Brandemburgo, no coração da capital, e indicado que usaria jatos e água. Repetidamente, as autoridades já haviam pedido por meio de alto-falantes que as instruções de saúde fossem respeitadas.

"Vergonha! Vergonha", gritavam os participantes, recusando-se a deixar a avenida 17-Junho, a longa artéria que começa no Portão de Brandenburgo e onde eles começaram a se concentrar pela manhã. Esses manifestantes, que respondem ao apelo de um coletivo heterogêneo chamado "os livres-pensadores", acusam o governo de Angela Merkel de querer estabelecer uma "ditadura".

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Desde o início de novembro a Alemanha aumentou as restrições na tentativa de conter a segunda onda de contaminação por coronavírus. Este encontro ocorre também em um momento em que as duas câmaras do Parlamento (Bundestag e Bundesrat) devem adotar durante o dia uma reforma que integra na legislação nacional uma bateria de medidas para combater a propagação do vírus, como o respeito ao distanciamento social ou ao uso da máscara.

Em grupos de discussão online, alguns opositores das medidas não hesitam em comparar essa reforma com a lei de plenos poderes concedidos a Adolf Hitler em 1933, apenas dois meses após sua ascensão à chancelaria. As comparações despertaram a ira de alguns líderes políticos, principalmente do vice-chanceler Olaf Scholz e do ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas.

Na manifestação desta quarta-feira, alguns seguravam cartazes em forma de fotomontagem mostrando Merkel em trajes de presidiária, riscada com a palavra "culpada". As autoridades alemãs haviam proibido a realização dessa manifestação em frente ao Reichstag, o edifício que abriga a Câmara dos Deputados (Bundestag), por medo de incidentes violentos.

Em 7 de novembro em Leipzig, na ex-Alemanha Oriental, uma manifestação semelhante, reunindo mais de 20.000 pessoas, terminou em violência e gerou um acalorado debate sobre a permissão ou não de tais reuniões em meio a medidas coercivas de saúde. Outro desfile, em Frankfurt neste sábado, também resultou em confrontos.


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