Recorde de casos nos EUA e novas restrições na Europa à espera de uma vacina

Recorde de casos nos EUA e novas restrições na Europa à espera de uma vacina

Autoridades no mundo todo se dividem entre implementar mais medidas restritivas ou voltar às atividades normalmente

AFP

Europa e EUA registram recorde de novos casos do Covid-19

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Os Estados Unidos registraram na terça-feira mais de 200.000 novos casos de coronavírus, um número recorde, enquanto as restrições são retomadas em mais países europeus e o mundo se agarra às boas notícias sobre uma vacina potencialmente eficaz, que poderia estar pronta até o final do ano.

A maior potência econômica do mundo, que já superou os 10 milhões de casos e as 240.000 mortes por Covid-19, registra há vários dias mais de 100.000 novos casos a cada jornada. Nas últimas 24 horas, 1.500 pessoas morreram vítimas do coronavírus no país, onde há 60.000 hospitalizados por Covid-19.

A pandemia ocupou um lugar central nas eleições presidenciais da semana passada. Joe Biden, que criticou a gestão da crise por parte do presidente Donald Trump, anunciou na terça-feira a composição do grupo que será responsável por administrar a crise, quando entrar na Casa Branca em 20 de janeiro. "Enfrentamos um inverno muito sombrio", disse Biden. No entanto, o país e o mundo se agarram à ideia da chegada em médio prazo de uma vacina eficaz, após o anúncio dos laboratórios Pfizer e BioNTech, que afirmaram que sua futura vacina é 90% eficaz.

O governo americano assinou um contrato de 1,95 bilhão de dólares com a Pfizer para 100 milhões de doses desta vacina caso seja aprovada, e espera poder começar a usá-la antes do fim do ano. A Pfizer pretende apresentar um pedido de autorização à Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos, quando a segurança da vacina for confirmada, nos próximos dias. Sua distribuição aconteceria em questão de "semanas", disse Alex Azar, secretário da Saúde dos EUA.

Primeiro trimestre de 2021

A Europa, que supera 317.000 mortes por Covid-19 e 13 milhões de casos, acredita que é provável que as primeiras vacinações contra o coronavírus ocorram no primeiro trimestre de 2021 em em "cenário otimista", afirmou nesta quarta-feira com cautela a diretora do Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDE), Andrea Ammon, em uma entrevista à AFP. "Sendo otimista, no primeiro trimestre do ano, mas não posso ser mais precisa", disse a responsável, afirmando que o anúncio da Pzifer é "promissor".

A situação diante da pandemia no Velho Continente é "muito, muito preocupante e todos os nossos indicadores vão na má direção", afirmou Ammon, pedindo aos europeus que respeitem escrupulosamente as restrições "por mais difícil que seja". A União Europeia anunciou na terça-feira que assinará "nos próximos dias" um contrato para comprar até 300 milhões de doses desta futura vacina da Pzifer, que se junta a outros três acordos com outros laboratórios que também preparam vacinas.

Paralelamente, as restrições aumentavam em diversos países europeus. Nesta quarta-feira, a Hungria, um dos mais afetados em relação à população, começa a aplicar um novo confinamento parcial que vai durar ao menos 30 dias, acompanhado de um toque de recolher noturno.

A vacina da Pzifer e BioNTech é uma das mais de 40 que estão em diferentes fases de desenvolvimento no mundo. Entretanto, o criador da vacina russa Sputnik-V contra a Covid-19 garantiu que esta possui uma eficácia de 92% e prometeu que os dados que sustentam essa afirmação serão publicados em breve "em uma das principais revistas médicas do mundo".

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"País de maricas"

Em todo o mundo, a pandemia do coronavírus provocou ao menos 1,27 milhão de mortos e 51,5 milhões de contágios, segundo o balanço mais recente da AFP, realizado nesta quarta-feira com base em fontes oficiais.

O presidente Jair Bolsonaro, que subestimou as consequências da Covid-19, apesar de o Brasil ser o segundo do mundo em número de mortos (mais de 162.000), foi alvo de críticas por suas declarações homofóbicas. "Lamento os mortos, lamento. Todos nós vamos morrer um dia (...). Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas. Temos que enfrentar de peito aberto, lutar. Ódio dessas coisas de maricas", disse.

Nesta quarta-feira foram registrados os primeiros casos internos por coronavírus na Mongólia e o arquipélago de Vanuatú, no Pacífico-sul, um dos poucos lugares do mundo preservados da pandemia, anunciou o primeiro caso de Covid-19.


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