Relatório dos EUA implica príncipe saudita na morte de jornalista

Relatório dos EUA implica príncipe saudita na morte de jornalista

Príncipe Mohamed bin Salman teria aprovado o assassinato de Jamal Khashoggi, em 2018

AE

Biden comunicará as conclusões ao rei e não ao filho

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O presidente dos EUA, Joe Biden, mudou mais uma diretriz da política externa de Donald Trump, desta vez com relação à Arábia Saudita. Em um movimento que vinha sendo anunciado nos últimos dias, o novo governo americano divulgaria nesta quinta-feira um relatório da CIA, segundo o qual o príncipe herdeiro e governante de facto da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, aprovou o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018.

"A divulgação pública (do relatório) marcará um novo capítulo nas relações de EUA e Arábia Saudita, e uma clara diferença entre a política do presidente Joe Biden e a do ex-presidente Donald Trump", informou a emissora NBC, que afirmou ter tido acesso ao relatório, em 2018.

Biden, um democrata que sucedeu ao republicano Donald Trump cinco semanas atrás, disse a repórteres na quarta-feira que leu o relatório e esperava falar em breve por telefone com o rei da Arábia Saudita Salman bin Abdulaziz, de 85 anos, pai do príncipe herdeiro. A porta-voz da Casa Branca, Jane Psaki, afirmou que o governo Biden comunicará as conclusões ao rei e não ao filho.

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O relatório faz parte da política de Biden para realinhar os laços com Riad, depois de anos tolerando violações dos direitos humanos e a intervenção dos sauditas na guerra civil do Iêmen. Enquanto o presidente americano restringe seus contatos ao rei, outros em seu governo estão conversando com autoridades sauditas em vários níveis.

"Mantivemos contato com autoridades sauditas em diversos níveis nas primeiras semanas do governo", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Khashoggi, de 59 anos, trabalhava como colunista do jornal americano The Washington Post quando foi assassinado por agentes sauditas no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, no dia 2 de outubro de 2018. O corpo do jornalista foi esquartejado e nunca foi encontrado.

O governo saudita, inicialmente, negou qualquer responsabilidade, mas depois afirmou que o jornalista foi morto acidentalmente por agentes que buscavam extraditá-lo. A versão oficial da Arábia Saudita é a de que esses agentes, vinculados ao príncipe, agiram por conta própria e o governante não se envolveu.

Prisões

Na Arábia Saudita, oito indivíduos foram condenados pela morte de Khashoggi e cinco deles foram sentenciados à pena de morte. Posteriormente, essas sentenças foram comutadas por penas de 20 anos de prisão.

Uma versão secreta do relatório foi compartilhada com membros do Congresso americano, no fim de 2018. No entanto, o governo de Trump rejeitou as exigências de legisladores e de grupos de defesa dos direitos humanos para divulgar uma versão não sigilosa do documento, buscando preservar a cooperação com os sauditas em meio a tensões crescentes com o rival regional de Riad, o Irã, e promover a venda de armas dos EUA para o reino.

*Com agências internacionais


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