Sob críticas, premiê britânica diz que "não é alguém que desiste"

Sob críticas, premiê britânica diz que "não é alguém que desiste"

Liz Truss é criticada pela opinião pública e questionada dentro de seu Partido Conservador

AFP

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A primeira-ministra britânica, Liz Truss, defendeu-se no Parlamento, nesta quarta-feira(19), após o humilhante abandono de seu plano econômico e afirmou que é "batalhadora, e não alguém que desiste". Criticada pela opinião pública e questionada dentro de seu Partido Conservador, Truss está na corda bamba, passadas seis semanas no poder.

Até agora, seu silêncio havia sido rompido apenas por uma entrevista à rede BBC. Por isso, a sessão legislativa desta quarta é vista como um grande desafio após renunciar a quase todas as medidas de seu plano econômico.

O líder dos trabalhistas, Keir Starmer, perguntou ao Parlamento: para que serve uma primeira-ministra, cujas promessas não duram uma semana?". Ele puxou o coro "fora, fora!", acompanhado por seus correligionários. "Por que continua aqui?", concluiu o líder da oposição.

Truss respondeu: "Sou uma batalhadora, e não alguém que desiste". Depois, insistiu: "Estou disposta a tomar decisões difíceis".

A crise começou no final de setembro, quando seu então ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, apresentou um pacote de medidas econômicas com cortes significativos de impostos e um colossal auxílio para as contas de energia - duas questões que suscitaram temores de um descontrole dos gastos públicos.

A libra caiu a níveis históricos, e os juros de empréstimos a famílias e empresas ficaram mais caros. O Banco da Inglaterra precisou intervir para impedir que a situação não degenere em crise financeira.

Nomeado às pressas na sexta-feira (14), Jeremy Hunt anunciou na segunda (17) uma renúncia de quase todos os cortes de impostos apresentados por seu antecessor, dando a impressão de que agora o poder está mais em suas mãos do que nas da chefe de Governo.

Inflação dispara

Enquanto a inflação disparou em setembro, a 10,1% interanual, seu nível mais alto em 40 anos, a primeira-ministra enfrenta rumores de que pretende ajustar as aposentadorias para acompanhar as altas dos preços.

"Este governo prioriza os mais vulneráveis, ao mesmo tempo que aporta estabilidade econômica e conduz a um crescimento de longo prazo desejado por todos", garantiu Hunt nesta quarta, ao responder sobre a taxa de inflação.

Hunt advertiu, no entanto, que será necessário conter os gastos públicos.

Apesar do caos na política, os mercados estavam mais tranquilos, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou o retorno à "disciplina orçamentária", em um momento em que a recessão ronda o país. Muitos temem, porém, um retorno à austeridade, como ocorreu na crise financeira de 2008, com cortes drásticos no orçamento público e um aumento do desemprego.

Truss é capaz de contornar a situação a tempo? Segundo um levantamento do YouGov, apenas um de cada dez britânicos e um a cada cinco eleitores do Partido Conservador tem opinião favorável a Truss. Entre os membros do partido, 55% estimam que ela deveria renunciar, enquanto 38% preferem que continue no cargo.

A dois anos das próximas eleições parlamentares, a oposição trabalhista se sobressai frente aos conservadores nas pesquisas.

Cinco deputados de seu partido já pediram publicamente que Truss deixe o cargo. Com a falta de um sucessor claro, os conservadores têm reservas quanto a se lançarem em um novo e desgastante processo para indicar um líder. Buscam um consenso sobre uma pessoa, mas parecem longe de encontrá-la.


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