Sri Lanka decreta estado de emergência após confrontos antimuçulmanos
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Sri Lanka decreta estado de emergência após confrontos antimuçulmanos

País passa por auge do extremismo budista, incitado por monges radicais

Por
AFP

Sri Lanka decreta estado de emergência após confrontos antimuçulmanos

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O Sri Lanka decretou, nesta terça-feira estado de emergência por dez dias em todo país, como consequência de atos violentos interconfessionais e contra a minoria muçulmana que terminaram em dois mortos. "O conselho de ministros tomou medidas fortes, incluindo um estado de emergência nacional de dez dias", declarou o ministro do Planejamento Urbano, Rauf Hakeem. Adotada pela primeira vez em sete anos, essa medida coincide com a imposição, na véspera, de um toque de recolher na região turística de Kandy (centro), conhecida por suas plantações de chá e por seus templos budistas, após a descoberta do corpo de um muçulmano em meio aos escombros de um edifício queimado.

Nesta terça, o governo enviou forças policiais para essa região abalada no fim de semana por distúrbios, depois da morte de um budista agredido por uma multidão na semana passada. Os cingaleses, budistas em sua maioria, são pouco menos de 75% dos 21 milhões de habitantes da ilha. Os muçulmanos representam algo em torno de 10% da população, e os tâmeis (muitos deles hindus), por volta de 18%.

O Sri Lanka sofre um auge de extremismo budista, incitado por monges radicais. O estado de emergência dá às autoridades poderes para mobilizar forças, deter suspeitos e mantê-los presos por mais tempo. O país esteve por quase três décadas em estado de emergência, até que, em 2009, o governo proclamou sua vitória militar contra a rebelião tâmil. Na segunda-feira casas e lojas de muçulmanos e várias mesquitas da região de Kandy foram atacadas. Segundo as autoridades locais, cerca de 30 suspeitos foram detidos.

Uma investigação sobre o comportamento da polícia foi aberta. Na semana passada, uma multidão ateou fogo a estabelecimentos comerciais de muçulmanos e atacou mesquitas no leste do país depois que se acusou uma autoridade muçulmana de ter colocado anticoncepcionais na comida vendida a cingaleses. O governo considera infundadas essas acusações e ordenou a detenção dos responsáveis por sua propagação.