Ucrânia impõe toque de recolher em Kherson

Ucrânia impõe toque de recolher em Kherson

País prepara uma contraofensiva com o objetivo de reconquistar os territórios ocupados pela Rússia

AFP

Muito atacada pelos Russos, Kherson foi retomada pelos ucranianos em novembro

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As autoridades ucranianas anunciaram nesta quarta-feira (3) um toque de recolher de 58 horas a partir de sexta-feira (5) à noite em Kherson, perto da frente de batalha no sul do país, no momento em que Kiev finaliza os preparativos para uma contraofensiva ante as forças russas.

De modo paralelo ao anúncio, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, fez uma viagem surpresa à Finlândia, novo membro da Otan, para participar em uma reunião de cúpula de cinco países nórdicos.

Retomada em novembro em uma contraofensiva de sucesso, a cidade de Kherson permanecerá sob toque de recolher "das 20H00 (14H00 de Brasília) de 5 de maio até as 6H00 (0H00 de Brasília) de 8 de maio", anunciou no Telegram o comandante da administração militar regional, Oleksander Prokudin. "Durante as 58 horas será proibido caminhar pelas ruas da cidade. Kherson também permanecerá fechada para entrada e saída", acrescentou.

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Prokudin justificou as "restrições temporárias" pela "necessidade para que as forças de segurança possam fazer seu trabalho", mas não revelou detalhes. Recentemente, as autoridades ucranianas afirmaram que estavam concluindo os preparativos para uma contraofensiva com o objetivo de reconquistar os territórios ocupados pela Rússia no leste e sul do país. As tropas de Moscou ainda ocupam quase 20% da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.

Em meio aos boatos sobre onde começará a ofensiva de Kiev, os analistas apontam que o território do Donbass, onde acontece a violenta batalha de Bakhmut há vários meses, é mais acidentado. Em contraste, as regiões de Kherson e Zaporizhzhia, no sul, são formadas por grandes planícies agrícolas.

Apesar de ter sido libertada em novembro, Kherson ainda é alvo de bombardeios frequentes do exército russo, que está posicionado na outra margem do rio Dnieper, que virou uma fronteira natural entre os dois lados.

Nesta quarta-feira, um ataque russo contra um supermercado da cidade matou três civis e deixou cinco feridos, de acordo com o ministro do Interior, Igor Klimenko. Na Rússia, um tanque de combustível pegou fogo durante a noite na cidade de Volna, localizada na região de Krasnodar, perto da Crimeia. "Um tanque com derivados de petróleo sofreu um incêndio na localidade de Volna", disse o governador regional Veniamin Kondratiev. "De acordo com informações preliminares, não houve mortos ou feridos", acrescentou.

Segundo uma fonte dos serviços de emergência citada pela agência oficial TASS, o incêndio foi provocado pela "queda de um drone".

O Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia anunciou nesta quarta-feira a detenção de sete integrantes de uma "rede de agentes da inteligência militar ucraniana que planejava executar atos de sabotagens e ataques terroristas na Crimeia". O FSB informou que apreendeu explosivos e detonadores e indicou que o grupo planejava assassinar líderes políticos, como o governante da Crimeia designado por Moscou, Serguei Aksionov.

O aumento dos ataques e atos de "sabotagem" provoca temores de que ações do tipo possam afetar as comemorações militares do 9 de Maio, dia em que a Rússia celebra a vitória sobre a Alemanha nazista em 1945. Várias cidades russas cancelaram as cerimônias programadas tradicionalmente para o "Dia da Vitória". O grande desfile militar na Praça Vermelha de Moscou, o grande evento do dia, está confirmado.

 

 

 


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