''Vai ser difícil voltar às aulas'', diz gaúcho que estuda em escola alvo de tiroteio nos EUA
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''Vai ser difícil voltar às aulas'', diz gaúcho que estuda em escola alvo de tiroteio nos EUA

Matheus Kunzler Maldaner, de 16 anos, mora com os pais na Flórida desde agosto de 2017

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Correio do Povo

Matheus Kunzler Maldaner, 16 anos, mora com os pais na Flórida desde agosto de 2017

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Gaúcho de Porto Alegre, Matheus Kunzler Maldaner, de 16 anos, estava na escola Marjory Stoneman Douglas High School de Parkland, da Flórida, no momento do tiroteio que deixou 17 mortos – entre eles, seu professor de geografia. O gaúcho estuda no colégio desde agosto do ano passado, quando ele, os pais e a irmã se mudaram para os Estados Unidos.

“Vai ser difícil voltar às aulas, sabendo que essas pessoas não vão mais estar lá. Eu só agradeço por estar bem”, desabafou o gaúcho em entrevista para a Record RS nesta quinta-feira. As atividades serão retomadas na segunda-feira, mas hoje haverá uma cerimônia na escola em homenagem às vítimas. “Estou indo para lá, para dar suporte. Está todo mundo abalado, o clima é de luto”, contou.

“Se fosse hoje, eu estaria no lugar onde ocorreu os disparos”

O atirador - um jovem, de 19 anos, - chegou na escola com um fuzil semiautomático AR-15 e uma grande quantidade de munição. Após acionar o alarme de incêndio, começou a disparar, atingindo a sala onde o professor de geografia de Matheus dava aula. “Se fosse hoje ou terça, eu estaria na sala, bem no lugar onde ocorreu os disparos”, contou.

Matheus não chegou a conhecer Nikolas Cruz – que foi expulso da escola por razões disciplinares. Mas disse que todo mundo no colégio comentava que ele tinha distúrbios mentais e se sabia que ele tinha armas em casa. “Ele não gostava da escola e fez como um tipo de vingança. Pelo menos, é o que estão especulando por aqui”, relatou.

A mãe de Matheus, Kelly Kunzler Maldaner, 46 anos, disse que o ocorrido foi “uma coisa muito trágica, que pegou todo mundo de surpresa”. Dentro da rotina normal, Kelly estava a caminho da escola para buscar Matheus, junto com a filha, Luana, de 11 anos. “A cidade é muito tranquila. Comecei a ver uma movimentação diferente, eram muitos carros da polícia, ambulância e bombeiros, todos indo na mesma direção”, contou.

Kelly estranhou a movimentação, mas não chegou a pensar que algo grave poderia ter ocorrido justamente na escola do filho. “Chegando perto da escola, eu percebi que tinha alguma coisa muito errada. Eram muitos policiais e estava realmente um caos”, lembrou. Sem saber o que estava acontecendo, ela começou a ligar para Matheus. “Liguei pelo menos três vezes e ele não atendeu. Então pedi para minha filha enviar uma mensagem perguntando como ele estava”, disse.

Por mensagem, Matheus respondeu: “eu estou bem, num lugar seguro, fica tranquila”. “Eu não sabia o que estava acontecendo, mas vi muitos pais chorando, desesperados e também me desesperei”, contou. Ainda por mensagem, Matheus contou que achava que se tratava de um treinamento para casos de incêndio, mas que estavam falando sobre a presença de um atirador e terminou a mensagem com “não posso falar mais”.

Após conseguir comunicação com o filho, Kelly resolveu estacionar o carro e aguardar. “Falei com meu marido, que buscou informações e me falou que quem estava dentro da escola, estava sendo liberado aos poucos. Foi aquela angústia toda para esperar que tudo terminasse”, enfatizou.

Mesmo sabendo que Matheus estava teoricamente fora de perigo, Kelly não conseguia se acalmar, pois ele estava dentro da escola e, ao que tudo indicava, o atirador também. “Até ele avisar que estava saindo, foi um desespero. Nunca passamos por uma situação parecida, parecia um filme de terror”, contou.

Conforme Kelly, o clima na pequena cidade de Parkland, com pouco mais de 30 mil habitantes, está péssimo. “Foi uma tristeza muito grande, muitos jovens morreram. A comunidade é pequena e todos estão muito abalados com o que aconteceu. Graças a Deus o Matheus está bem”, desabafou. Após o ocorrido, Kelly disse que as investigações seguem. “A gente espera é tentar entender um pouco mais do que aconteceu”, ressaltou.

O atirador - um jovem, de 19 anos, - chegou na escola com um fuzil semiautomático AR-15 e uma grande quantidade de munição. Após acionar o alarme de incêndio, começou a disparar. Matheus não chegou a conhecer Nikolas Cruz – que foi expulso da escola por razões disciplinares, mas disse que todo mundo no colégio comentava que ele tinha distúrbios mentais e se sabia que ele tinha armas em casa. “Ele não gostava da escola e fez como um tipo de vingança. Pelo menos, é o que estão especulando por aqui”, relatou.