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Alvo de execução na Cidade Baixa era procurado pela polícia e por facções, diz delegada

Investigações devem gerar novas ações relacionadas a execuções ocorridas na rua João Alfredo, em Porto Alegre

Por
Franceli Stefani

Delegadas explicaram resultado das investigações da Operação Xeque-Mate

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A operação Xeque-Mate, desencadeada pela Polícia Civil nesta segunda-feira, prendeu criminosos que estariam relacionados a execuções ocorridas na Cidade Baixa e no Jardim Botânico. Todas têm relação com a disputa pelo tráfico de drogas em Porto Alegre. A titular da 2ª Delegacia de Polícia de Homicídios, delegada Roberta Bertoldo, relatou em entrevista coletiva que no caso das mortes ocorridas na João Alfredo, o alvo principal era procurado pela Polícia Civil e por facções rivais. 

"Todas as prisões foram decretadas nos autos de investigação que apurou o caso. O alvo do ataque era Roger (Abreu de Oliveira, de 24 anos), que tinha dois mandados de prisão contra ele pelos crimes de homicídio e com antecedentes por tráfico de drogas. Ele tinha ciência de que era procurado, tanto pela Polícia Civil, quanto por facções rivais”, destacou.

Além de Oliveira, na ocasião, outras duas pessoas foram mortas na Cidade Baixa: Salmeron Bartz Costa, 28 anos e Cassiane Alves da Rocha, 21. Foram contabilizados cerca de 15 disparos no momento do ataque. A ofensiva de hoje prendeu na Vila Cruzeiro três pessoas suspeitas de terem participado dos disparos. 

A delegada Roberta revelou ainda que Oliveira já vinha sendo ameaçado por seus inimigos e que por isso não deixava o reduto em que residia, nas proximidades da Cidade Baixa. O seu comparsa, Salmeron, já tem passagens pela polícia. “A jovem Cassiane não tinha nenhuma passagem pela polícia e, segundo informações que coletamos ao longo das investigações, ela estava há pouco tempo se relacionando com Roger e foi morta porque estava junto com o principal alvo dos atiradores”, destacou. Roberta não divulgou as motivações que levaram ao crime e alegou que elas permanecem em sigilo por conta de investigações que estão em curso e devem resultar em novas ações.

Frentista executado por ter trocado de facção

A Xeque-Mate ainda realizou diligências para buscar provas da autoria do assassinato do frentista Gelson Andreatta, de 28 anos, em 19 de de dezembro de 2018, na rua Barão do Amazonas, no bairro Jardim Botânico, na zona Leste de Porto Alegre. A delegada Roberta Bertoldo explicou que este crime não está relacionado com as três mortes da Cidade Baixa. O ponto comum, no entanto, é o envolvimento de facções. 

Andreatta foi executado por dois criminosos em uma motocicleta, que chegaram ao posto de combustíveis em que ele trabalhava. “Nós representamos pelas prisões preventivas dos envolvidos no crime, porém elas foram indeferidas pelo Judiciário. Nós respeitamos a decisão, mas conseguimos capturar um dos envolvidos, o autor dos disparos, em Viamão, na região Metropolitana. Ele estava na companhia de uma outra mulher e os dois foram presos em flagrante por tráfico de drogas”, detalhou Roberta.

De acordo com a delegada, Andreatta teria saído de Viamão, onde integrava uma facção criminosa, e migrado para Porto Alegre, onde passou a fazer parte de outro grupo rival. "A motivação do crime, assim como na Cidade Baixa é a relação com o tráfico de drogas”, acrescentou.