Corpo de João Alberto será sepultado neste sábado em Porto Alegre

Corpo de João Alberto será sepultado neste sábado em Porto Alegre

Velório ocorre no cemitério municipal São João, na Zona Norte

R7

Velório ocorre no cemitério municipal São João

publicidade

O corpo de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, é velado neste sábado, no cemitério municipal São João,na Zona Norte de Porto Alegre, próximo à unidade do supermercado Carrefour onde ele foi espancado até a morte por dois seguranças brancos na noite de quinta-feira. O sepultamento está marcado para as 11h.

O crime aconteceu na véspera do Dia da Consciência Negra, nesta sexta-feira, dia 20 de novembro. Os dois agressores tiveram a prisão preventiva decretada. Um deles é um policial militar temporário.

De acordo com o delegado Leandro Bodoia, plantonista da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa, teria havido um desentendimento entre a vítima e funcionários da loja.

Testemunhas disseram que João Alberto fez “gestos agressivos” dentro do supermercado enquanto passava as compras pelo caixa. “Não foi nada muito grave”, diz o delegado. Neste momento, os seguranças foram chamados e o conduziram para fora da loja. A esposa da vítima seguiu dentro do estabelecimento finalizando a compra.

Segundo Bodoia, câmeras de segurança mostraram o homem desferindo um soco em um dos segurança. Neste momento começaram as agressões.

Veja Também

Quando a esposa de João Alberto saiu do supermercado em direção ao estacionamento, viu a cena. Uma ambulância do Samu foi ao local e tentou reanimá-lo, mas ele não resistiu. Os suspeitos foram presos em flagrante. A viúva disse que o marido chegou a pedir socorro. “Ele disse ‘Milena, me ajuda’. Eu fiquei em choque, foi uma brutalidade que fizeram com ele. Foi assim… horrível”, conta Milena Borges Alves.

Um amigo de João estava no supermercado e conta que testemunhou o crime. Segundo ele, “só pelas imagens não dá pra ver a brutalidade que nós percebemos lá dentro, os socos que ele tomava que chegava a 200 metros ouvindo o barulho e ele pedindo socorro pra pararem de bater”.

A delegada Roberta Bertoldo, responsável pelo caso, disse que funcionários ameaçaram quem tentou contestar a atitude e alegaram que João havia agredido um cliente dentro da loja, o que até o momento não foi confirmado. Segundo ela, a conduta dos funcionários será apurada.

Uma série de protestos contra a morte de João Alberto aconteceu por todo o Brasil. Em Porto Alegre, manifestantes se reuniram no Carrefour onde a vítima foi morta. O ato foi pacífico durante a maioria do tempo. No entanto, logo ao anoitecer, manifestantes e a Brigada Militar entraram em confronto quando uma parte conseguiu invadir o supermercado, queimou cartazes e pichou as paredes com dizeres antirracistas. Neste momento, os policiais interviram para controlar a situação e dispersar o grupo, por volta das 21h, para fora da região.

Em São Paulo, após um protesto pacífico no vão do MASP (Museu de Arte de São Paulo) um grupo de manifestantes invadiu e depredou uma loja do Carrefour localizada dentro de um shopping na rua Pamplona, nos Jardins, na zona oeste da cidade. Houve manifestações também em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro, em Brasília e em Porto Alegre, na frente da unidade onde ocorreu o crime.

Em nota o Carrefour declarou o seguinte:

“O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João para dar o suporte necessário.

O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais.”


Mais Lidas


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895