Polícia

Identificado líder de grupo de assalto a bancos de São Sepé

Quadrilha utiliza tática “novo cangaço” em assaltos no interior do Rio Grande do Sul

Agências foram destruídas após as explosões
Agências foram destruídas após as explosões Foto : Luis Carlos Machado / Jornal A Palavra / Divulgação / CP
A Polícia Civil identificou o líder da organização criminosa que atacou duas agências bancárias com explosivos na madrugada de sábado, em São Sepé, na região Central do Estado. O indivíduo é foragido desde 2012 e possui passagens por roubo a banco, além de ser considerado extremamente perigoso. Ele lidera um grupo descrito como parte do “novo cangaço”, modalidade de roubo a banco a exemplo dos antigos cangaceiros que promoviam roubos e dominavam cidades do interior com ações violentas.

A organização criminosa, composta por cinco homens, por volta da 1h, fez pessoas que estavam próximas das agências bancárias como reféns para realizar o assalto. Pelo menos mais de dez foram usadas para fazer um cordão humano durante a ação. Houve troca de tiros e dois policiais foram atingidos por disparos. Além disso, duas mulheres foram levadas dentro do veículo após o ataque e, posteriormente, foram liberadas em um posto de combustível em Caçapava do Sul. Uma das reféns machucou uma das mãos enquanto estava em poder dos bandidos.

De acordo com o delegado Joel Wagner, da Delegacia de Roubos do Deic, o grupo estava encapuzado e com armas longas, sendo fuzis e uma carabina ponto 30. O ataque foi realizado de forma simultânea nos dois bancos com a utilização de um grande volume de explosivos, o que deve se aproximar de seis quilos. Ao todo, foram realizadas cinco explosões três nos terminais e uma no cofre do banco Sicredi e outra em um caixa eletrônico do Banco do Brasil.

A organização criminosa já realizou ataques com explosivos em agências de Barros Cassal, Santana da Boa Vista e Cerro Grande do Sul. “É uma organização criminosa que já vem sendo investigada pela Delegacia de Roubos. São indivíduos extremamente perigosos que comentem os crimes e esperam por um determinado tempo para atacar novamente”, explicou o delegado destacando que a prioridade é prender o líder já identificado, além de identificar os outros indivíduos.

Conforme as investigações, a organização atua somente no Rio Grande do Sul e possui características próprias como a utilização de carabina ponto 30, quantidade excessiva de disparos, explosivos e reféns. A polícia atua na análise de imagens de câmeras de segurança e faz oitivas com as pessoas, mas a suspeita é de que o grupo já tenha se distanciado do local onde deixou as reféns.

Wagner observou que os policiais já priorizam a busca por organizações criminosas que cometem esse tipo de crime, mas que ainda é difícil coibir as ações, uma vez que os indivíduos possuem acesso a grandes volumes de explosivos e armas para cometer os ataques. “Esses explosivos são muitas vezes oriundos de pedreiras e acabam sendo desviados ou furtados e caem nas mãos de organizações criminosas”, observou.

Uma das medidas importantes para tentar coibir as ações, segundo o delegado, é a criação de uma legislação própria para o uso de explosivos. “Não temos um regramento próprio no que tange os explosivos no Brasil, mas temos na lei do desarmamento que penaliza esse tipo de conduta”, disse. Atualmente, quem é flagrado utilizando cerca de 50 quilos de explosivos reponde a pena semelhante a um sujeito que for pego com um revólver calibre 38 com numeração raspada de três a seis anos de reclusão.