Justiça do Peru avalia prisão preventiva para ex-primeira-dama no caso Odebrecht

Justiça do Peru avalia prisão preventiva para ex-primeira-dama no caso Odebrecht

Promotora solicitou 36 meses de prisão preventiva contra Heredia e dois ex-ministros, investigados pelos supostos crimes contra o Estado peruano por um contrato de construção de um gasoduto

Por
AFP

Audiência começou pela manhã, se prolongou por quatro horas e será retomada nesta sexta-feira


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Um tribunal peruano iniciou, nesta quinta-feira, uma audiência para decidir um pedido de prisão preventiva para a esposa do ex-presidente Ollanta Humala, Nadine Heredia, no contexto do escândalo de corrupção da empresa Odebrecht. O juiz Carlos Sánchez presidiu a audiência pela manhã, que se prolongou por quatro horas e será retomada na sexta-feira, acompanhada virtualmente por Heredia, outros dois acusados, advogados e promotores.

A promotora Geovana Mori solicitou 36 meses de prisão preventiva contra Heredia e dois ex-ministros, investigados pelos supostos crimes contra o Estado peruano por um contrato de construção de um gasoduto.

Segundo a promotoria, Heredia exercia um poder de fato dentro do aparato estatal durante o mandato de Humala (2011-2016). "A acusação contra Nadine Heredia é de associação ilegal para cometer um crime. Ela é apontada como líder de uma organização criminosa que se infiltrou no governo", disse Mori na audiência.

"Seu papel era estabelecer planos criminais e comunicar a outros membros da organização criminosa os objetivos e metas para favorecer as empresas brasileiras em disputas públicas", afirmou o promotor. Ela supostamente deu instruções e organizou reuniões com a finalidade de que a empresa Odebrecht adquirisse o Gasoduto del Sur, que ficou inacabado quando o escândalo de corrupção estourou em 2017.

Mori lembrou que, como parte de um acordo de colaboração com a justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht reconheceu os pagamentos ilegais no Peru como contribuições ocultas às campanhas eleitorais.

Humala e sua esposa são acusados de ter recebido três milhões de dólares pela campanha que levou o oficial militar aposentado ao poder. A situação da ex-primeira-dama se complicou depois que o ex-chefe da Odebrecht no Peru, o brasileiro Jorge Barata, declarou há algum tempo aos promotores peruanos que lhe entregou o dinheiro pessoalmente. Mas o advogado de Heredia, Jefferson Moreno, rejeitou as acusações e disse que os elementos da condenação não estão sendo cumpridos para ordenar a detenção preventiva solicitada pela promotoria.

O defensor expressou que a acusação deve "provar que Nadine Heredia disse diretamente ao ex-superintendente da Odebrecht (...) 'que ela faria sua empresa vencer' e se a suposta contribuição foi feita em troca de um favor na concessão da obra do Gasoducto Sur ".

Ao suspender a audiência, o juiz Sánchez disse que vai solicitar à acusação as declarações completas de Barata, para analisá-las.

Heredia e Humala já estiveram detidos preventivamente por nove meses por este caso entre 2017 e 2018.


O escândalo da Odebrecht, cujos líderes agora cooperam com a justiça peruana, atinge outros três ex-presidentes peruanos, além de Humala, e a líder da oposição Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).