Justiça do Rio torna réu PM acusado de matar menina Ágatha
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Justiça do Rio torna réu PM acusado de matar menina Ágatha

Policial responde pelo crime de homicídio duplamente qualificado

Por
Agência Brasil

A morte de Ágatha aconteceu no dia 20 de setembro, por volta de 21h30min, na comunidade da Fazendinha

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A juíza Viviane Ramos de Faria, da 1ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, acatou denúncia feita pelo Ministério Público do estado (MPRJ) no último dia 3 contra o cabo da Polícia Militar Rodrigo José de Matos Soares, acusado da morte da menina Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, na comunidade da Fazendinha, Complexo do Alemão, no dia 20 de setembro. A decisão foi proferida pela juíza no último dia 5 e tornou o PM réu na ação. O policial militar é acusado pelo crime de homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima).

A juíza determinou ainda medidas cautelares, como o afastamento de Soares do patrulhamento nas ruas e a suspensão de seu porte de arma. Ele não poderá sair do Rio de Janeiro sem autorização judicial nem ter qualquer contato com testemunhas que serão ouvidas no processo. O policial deverá ainda comparecer mensalmente na 1ª Vara Criminal do Rio.

Segundo a denúncia formulada pelo MPRJ, Ágatha estava dentro de uma kombi que fazia o transporte de passageiros naquela comunidade quando foi atingida por fragmentos de bala disparada pelo PM na tentativa de deter dois homens suspeitos. As investigações da Delegacia de Homicídios derrubaram a tese de legítima defesa apresentada pelo PM ao concluírem que não havia tiroteio no local naquele momento. Procurada pela Agência Brasil, a Polícia Militar não respondeu aos questionamento até a publicação desta matéria. 

Crime

A morte de Ágatha aconteceu no dia 20 de setembro, por volta de 21h30min, na comunidade da Fazendinha. De acordo com a denúncia, o PM estava em serviço quando atirou de fuzil contra duas pessoas não identificadas que trafegavam em uma motocicleta, por acreditar que fossem traficantes. Ágatha estava dentro de uma Kombi, acompanhada da mãe, quando foi atingida pelo fragmento de um projétil. Ela chegou a ser levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão e transferida para o Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos. Na ocasião, os parentes da menina e outras testemunhas já apontavam a PM como responsável pela morte.

Segundo as investigações da Polícia Civil, o policial tentou atingir duas pessoas que passaram em uma moto em alta velocidade, mas o projétil ricocheteou em um poste e um fragmento atingiu Ágatha nas costas. De acordo com o inquérito, o PM teria confundido uma esquadria de alumínio que um dos homens levava na moto com uma arma.

Procurada neste domingo, a Polícia Militar não se manifestou sobre a decisão judicial. A defesa do policial não foi localizada.