Mesmo com forte presença da Brigada Militar, escolas têm baixa adesão de alunos em Maquiné

Mesmo com forte presença da Brigada Militar, escolas têm baixa adesão de alunos em Maquiné

Prefeito João Marcos Bassani dos Santos constata que pais e mães estão com "muito medo" após apreensão de adolescente suspeito de planejar ataque

Correio do Povo

Força Tática do 8º BPM e 1º Batalhão de Polícia de Choque (1º BPChq) estão na cidade

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Uma baixíssima adesão de alunos marca o retorno das aulas nesta quinta-feira nas 14 escolas, sendo 10 municipais e quatro estaduais, de Maquiné, no Litoral Norte. Nem a forte presença da Brigada Militar na cidade acalmou os pais e as mães. Além do efetivo da Força Tática do 8º BPM, a tropa do 1º Batalhão de Polícia de Choque (1º BPChq) de Porto Alegre está atuando para tranquilizar os cerca de 7,5 mil moradores. “O medo ronda muito Maquiné”, resumiu o prefeito João Marcos Bassani dos Santos nesta manhã à reportagem do Correio do Povo.

O clima de insegurança espalhou-se após a descoberta de farto material de cunho neonazista e fascista em uma residência. Um casal foi preso e o filho adolescente apreendido na ação realizada pela Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil na noite da última terça-feira. O menor de 14 anos é suspeito de planejar um ataque em algum estabelecimento de ensino.

“Estão com muito medo. É o pânico”, enfatizou o prefeito João Marcos Bassani dos Santos. Calculando que apenas 5% dos alunos voltaram às aulas que foram suspensas nessa quarta-feira. “Os pais estão muito preocupados”, afirmou. A rede de ensino possui 1.381, sendo 561 nas escolas municipais e 820 nos colégios estaduais.

Na noite da própria quarta-feira, uma reunião com a comunidade escolar municipal foi realizada com mais de 400 pessoas. “Os pais estão dizendo que não vão levar até nos próximos dias”, observou, referindo-se aos reflexos dos boatos sobre ataques nas redes sociais. “Foi apreendido material de apologia ao nazismo e fascismo, o que potencializa as fakes news”, disse.

“Não tenho como conseguir sozinho tranquilizar os pais. É uma equação complicada”, admitiu o prefeito João Marcos Bassani dos Santos. Ele pretende se reunir na tarde desta quinta-feira com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) para tratar desta questão e discutir propostas.

O adolescente apreendido na ação da CORE já foi encaminhado para uma unidade da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul (FASE-RS), conforme determinação da juíza da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Osório, Conceição Aparecida Canho Sampaio. Os pais dele tiveram a prisão preventiva decretada pela mesma magistrada.

Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS), o caso envolvendo o menor tramita em sigilo na Vara da Infância e Juventude de Osório. Já o processo envolvendo os pais seguirá para a Vara Criminal da Comarca. Dois amigos do menor estão sendo também ouvidos no inquérito da Polícia Civil. O trabalho investigativo terá prosseguimento. Já a Brigada Militar mantém o reforço nas escolas e monitoramento das redes sociais na região.

A ação da CORE, que teve apoio do 8º BPM, resultou no recolhimento de um simulacro de arma de fogo, uma espingarda de pressão, facas, soqueiras, fardas camufladas, fotos e bandeiras nazistas e fascistas, toucas ninjas, luvas, camisetas, capacetes, livros, documentos, discos rígidos de computadores e telefones celulares.

A descoberta do plano de ataque em Maquiné ocorreu após a detenção de um jovem que pretendia fazer um ataque no Paraná. As autoridades paranaenses apuraram as ligações dele com outros no país, incluindo o adolescente gaúcho. Houve então a constatação de que os pais do menor também eram adeptos do discurso de ódio e da doutrina neonazista. Os pais e o filho serão indiciados por apologia ao nazismo, sendo que menor responderá ainda por ato infracional análogo a terrorismo.  

Foto: BM / Especial / CP


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