Mulher registra ocorrência por agressão durante ato pró intervenção militar

Mulher registra ocorrência por agressão durante ato pró intervenção militar

Vítima comunicou sofrer violência física ao tentar defender outra pessoa em Porto Alegre

Eduardo Amaral

Confusão iniciou já no fim dos atos em Porto Alegre

A manifestação em prol do presidente Jair Bolsonaro e pedindo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) teve episódios de agressão. O protesto aconteceu neste domingo na Rua dos Andradas, no Centro de Porto Alegre, em frente ao prédio do Comando Militar do Sul. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma mulher e um homem vestidos de vermelho e recebendo socos e pontapés de pelo menos um homem. A confusão teria começado após uma mulher com uma máscara 'Fora Bolsonaro' ter ficado nua. Ela estava com uma bandeira do Brasil. Uma equipe de reportagem também foi agredida, além da fotógrafa Márcia Velasques Campos, que passeava com seus quatro cachorros e tentou impedir as agressões. 

Márcia conta que tentou evitar a manifestação, mas passou pelo local quando uma outra mulher sofria agressões e tentou intervir. “Eu voltei pela calçada inversa da manifestação, só que uma moça e um rapaz estavam sendo agredidos e ela veio na minha direção. Aí esse rapaz pegou os cabelos da moça e puxava com muita força, e eu disse ‘moço não faça isso’ então ele soltou e nessa hora ele fechou a mão me acertou a boca.”

A fotógrafa transitava com carrinho de bebê onde levava seus quatro cachorros da raça shih-tzu. Após a agressão ela registrou Boletim de Ocorrência por agressão na 1ª Delegacia de Polícia (DP) de Porto Alegre. Segundo Márcia, logo após a agressão o homem fugiu do local correndo. 

Como fotografou o homem e divulgou a imagem nas redes sociais, a identificação veio por algumas pessoas que conheciam ele. Segundo os conhecidos, o homem é membro de uma torcida organizada de futebol. Já a PC ainda não confirmou o nome do agressor e o caso será investigado a partir de segunda-feira. Para Márcia restou a incompreensão sobre a agressão sofrida. “Eu estava passeando com meus cachorros em um carrinho de bebê, a troco de que fizeram isso comigo.”

Antes de Márcia receber o soco, o jornalista Jefferson Botega também foi agredido pelo mesmo homem. Ele trabalhava na cobertura pelo jornal Zero Hora quando foi hostilizado pelos manifestantes. Em nota a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) repudiou os ataques ao jornalista. “A Associação Riograndense de Imprensa (ARI) condena a agressão sofrida pelo jornalista Jefferson Botega, repórter fotográfico de Zero Hora, quando trabalhava na cobertura de ato a favor do presidente da República. O jornalista, assim como demais profissionais da mídia, estava cumprindo sua missão de registro da História neste momento de pandemia e turbulência política”, afirmou o presidente da entidade Luiz Adolfo Lino de Souza. 

No texto a Ari também condenou o teor dos protestos que pedem intervenção militar. “Propostas que ferem a Constituição Federal, agridem a democracia ao intimidar a imprensa no justo momento em que a população brasileira tanto precisa do jornalismo.”


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895