Polícia

Oito celulares são apreendidos em cela de penitenciária em Canoas

Aparelhos foram localizados em diligência da Operação Squadrone

Operação Squadrone cumpriu mandados na Pecan 2
Operação Squadrone cumpriu mandados na Pecan 2 Foto : Polícia Civil / CP

Oito celulares foram localizados no interior de uma cela na Penitenciária Estadual de Canoas 2 (Pecan 2), na região Metropolitana. A apreensão fez parte da Operação Squadrone, coordenada por policiais civis da 2° Delegacia de Repressão ao Narcotráfico. O mandado de busca ocorreu na sexta-feira, com apoio da Polícia Penal.

O investigado é um detento, de 29 anos, que também foi alvo de mandado de prisão preventiva. Ele soma antecedentes por tráfico de drogas, receptação de carro roubado e associação criminosa.

Ocorre que, além dele, outros sete presos também estão recolhidos na mesma cela. Em outras palavras, a suspeita é que cada detento era proprietário de um dos celulares apreendidos.

"Apesar da Operação Squadrone ter sido deflagrada na quarta-feira, deixamos para cumprir agora os mandados na Pecan 2, por questões estratégicas da investigação. Chamou atenção que foram localizados oito celulares, justamente em uma cela onde oito detentos cumprem pena. O principal investigado já estava preso, mas foi alvo de mais um mandado de prisão preventiva", afirmou o delegado Rafael Liedtke.

Vale destacar que o Complexo Prisional de Canoas tem bloqueadores de sinal telefônico. No entanto, agentes penitenciários explicam que comparsas dos apenados posicionam roteadores de internet na parte externa do local, o que por vezes possibilita o uso de celulares dentro das unidades.

Operação Squadrone

O detento em Canoas foi o 24º alvo a ter mandado de prisão efetuado na Operação Squadrone. Deflagrada na quarta-feira, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a ofensiva ocorreu simultaneamente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Na ocasião, participaram 100 agentes gaúchos e mais 90, dos outros três estados.

De acordo com o delegado Rafael Liedtke, que comandou a investigação, os suspeitos integram grupos com base no RS e em SC. Eles teriam se unido para frear o avanço de uma terceira facção na região Sul do país.

“A ofensiva teve como alvo a coalisão entre duas das maiores facções do Sul do Brasil. Um dos motivos da união entre traficantes gaúchos e catarinenses foi contrapor uma terceira facção, que tomou conta do tráfico de drogas no Paraná. A aliança deles ocorreu como tentativa de frear o crescimento desse outro grupo na região Sul”, destacou Liedtke.

A investigação começou há 15 meses, quando foram detidos um homem catarinense e uma adolescente, do Paraná. Na ocasião, a dupla foi flagrada enquanto vendia drogas no bairro Intercap, em Porto Alegre.

Foi constatado que os dois integravam uma rede de tráfico interestadual. Segundo a polícia, o esquema consistia na associação criminosa entre duas facções, sendo uma de Santa Catarina e outra, com base no Vale do Sinos.

A suspeita é que traficantes gaúchos e catarinenses se uniram em uma espécie de consórcio, que incluía aquisição em conjunto de armas e drogas em Foz do Iguaçu, no Oeste paranaense. Eles também compartilhavam a distribuição dos ilícitos.

O lucro do tráfico era destinado para contas de empresas de fachada, localizadas no Paraná e em São Paulo. Uma casa de câmbio, em Santa Catarina, além de revendas automotivas gaúchas, também teriam sido utilizadas na lavagem de dinheiro.

A venda de cocaína e crack seria o foco dos traficantes. Em um intervalo de 15 dias, eles teriam movimentado mais de R$ 5 milhões com o comércio das drogas.

O elo entre as duas facções seria um homem apelidado ‘Pardal’, apontado como liderança do tráfico em SC. Ele foi morto a tiros durante uma briga em uma casa noturna, em Criciúma, em setembro do ano passado.