Polícia Federal prende falsa médica em flagrante no Cremers

Polícia Federal prende falsa médica em flagrante no Cremers

Mulher de 33 anos apresentou diploma falso para obter registro de médica

Correio do Povo

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A Polícia Federal, em conjunto com a Secretaria Operacional do Cremers, prendeu uma mulher em flagrante na tarde desta sexta-feira na sede do Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers). A mulher de 33 anos apresentou diploma falso para obter registro de médica e teve a fraude identificada.

A mulher, que é natural do Acre, apresentou diploma de Medicina do Centro Universitário Funorte, de Montes Claros, Minas Gerais. A fraude foi constatada na fase de conferência dos documentos, em que o Cremers verifica, entre outros, a validade do diploma junto às universidades.

Possível rede de fraudes

Segundo o diploma falso, a formatura teria acontecido em 1º de fevereiro de 2023. No entanto, a mulher, que tem registro do Ministério da Saúde no Programa Mais Médicos, atendia comunidades indígenas em Cacique Doble desde 2017. Na internet, ela se intitula especialista em Saúde da Família e Comunidade. “Isso demonstra a fragilidade do Programa, colocando a população em risco ao ser atendida por falsos médicos”, afirmou o presidente do Cremers, Carlos Sparta. O Cremers irá oficiar o Ministério da Saúde e a Prefeitura de Cacique Doble sobre o caso.

Em contato com outros Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), foram identificados mais nove diplomas falsos da mesma universidade. Os documentos foram usados em tentativas de obter registro de médico na Bahia, Maranhão, São Paulo e Tocantins. O grupo chegou a criar um e-mail falso da universidade para enviar a ata da colação de grau aos CRMs.

Nota de esclarecimento

Em defesa da médica detida, na sede do Cremers, em Porto Alegre, vimos a público trazer importantes esclarecimentos. Ao contrário do que foi amplamente divulgado pela mídia nos dias 15 e 16 de setembro de 2023, a respeito da prisão de “falsa médica” na sede do referido Conselho, acusada pelo suposto cometimento do delito de uso de documento falso, esclarecemos que a referida médica exerce legalmente a profissão, estando os fatos a ela atribuídos sendo desmentidos em Juízo, tendo sido restabelecida a liberdade da mesma e a permanência da profissional na atuação do programa “Mais Médicos”, conforme decisão judicial exarada em caráter de urgência, pelo plantão da Justiça Federal, no último sábado.

De outra parte, cumpre esclarecer que a acusação de que a médica exerceria a profissão de forma ilegal, é leviana e irresponsável. A médica possui formação superior no curso de medicina pela Universidad Técnica Privada Cosmos, na Bolívia, estando regularmente inscrita no programa “Mais Médicos”, do Governo Federal, desde o ano de 2017, tudo em conformidade com as normas e leis vigentes.

Causa repúdio a forma tendenciosa como os fatos foram expostos ao conhecimento público no último dia 15, devendo ser salientado que estão sendo adotadas as medidas legais pertinentes para a responsabilização dos envolvidos pela divulgação de informações sigilosas, que são asseguradas pelos termos da Lei Geral de Proteção de Dados e princípios basilares da Constituição Federal, sobretudo quanto à presunção de inocência, devendo ser resguardado o sigilo do processo.


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