Prejuízo com fraude de venda de dados pode chegar a R$ 20 milhões
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Prejuízo com fraude de venda de dados pode chegar a R$ 20 milhões

Funcionários de empresa de telefonia fornecia informações de clientes

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Correio do Povo

Prejuízo com fraude de venda de dados pode chegar a R$ 20 milhões


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Um esquema milionário envolvendo o acesso ilegal ao banco de dados dos clientes de uma empresa de telecomunicação e posterior venda das informações para terceiros, foi descoberto pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil. Os crimes apurados pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio das Concessionárias e os Serviços Delegados (DRCP) referem-se à prática de estelionato, invasão de dispositivo cibernético, concorrência desleal, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Conforme os agentes, o esquema tinha envolvimento de empregados e ex-funcionários da empresa. Trabalhadores de prestadoras de serviços terceirizados da companhia também participavam das fraudes que podem ter acarretado prejuízos superiores a R$ 20 milhões.

Conforme a DRCP, a organização criminosa investigada instalou programas de espionagem nos computadores da empresa de telecomunicações. Com acesso remoto, todos os dados dos clientes foram obtidos e repassados sobretudo para os call centers que depois contatavam as pessoas para comercializar pacotes de televisão a cabo, internet e de telefonia fixa ou móvel, inclusive de companhias concorrentes do setor. Não é descartado que os dados também estavam sendo vendidos para outras pessoas físicas e jurídicas, como financeiras.

Para instalar os programas espiões de modo ilegal, a quadrilha contava com a atuação dos chamados crackers, que são especialistas em quebrar códigos de segurança. No entanto, os trabalhadores das prestadoras de serviços terceirizados também forneciam senhas para viabilizar tranquilamente os acessos ao banco de dados. O controle do sistema então era total para cometerem as fraudes.

As investigações começaram logo após a operação Spy 1, deflagrada em dezembro de 2014 quando surgiram indícios. Alguns dos investigados na época estão entre os atuais envolvidos. A empresa de telecomunicações colaborou com a DRCP.

Após cerca de um ano de trabalho investigativo, a DRCP desencadeou ao amanhecer desta quarta a operação Spy II. Em torno de 70 policiais civis cumpriram 22 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do sul e Santa Catarina, onde a quadrilha atuava. No RS foram dez em Porto Alegre e um em Cachoeirinha.

Já em SC foram dez mandados judiciais em São José e um em Araranguá. Documentos, computadores, pendrives, tablets e celulares foram apreendidos em 11 call centers e empresas de fachada, um escritório de contabilidade e residência de 20 investigados. Todo o material recolhido será agora periciado.