Presos são custodiados na calçada de delegacia em São Leopoldo
capa

Presos são custodiados na calçada de delegacia em São Leopoldo

Duas ruas no local tiveram o trânsito interditado por medida de segurança

Por
Correio do Povo

Na manhã desta quarta-feira, os policiais militares faziam na rua a custódia dos detidos ao invés de estarem no policiamento ostensivo

publicidade

A Ugeirm Sindicato denunciou mais uma vez a situação dramática da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de São Leopoldo, na região do Vale do Rio dos Sinos. Na manhã desta quarta-feira, os presos amontoavam-se nas celas e até no lado de fora do prédio, seja na calçada ou dentro de viatura, o que provocou a interdição do trânsito nas ruas João Alfredo e Pandiá Calógeras. Todos aguardavam vagas em presídios, sendo custodiados por policiais civis e militares que deixam de exercer suas atividades fins. Os policiais militares, por exemplo, deveriam estar atuando no policiamento ostensivo com suas viaturas. Na noite de terça-feira estavam mais de 20 detidos no local, onde também funciona a 1ª DP de São Leopoldo.

Vice-presidente da Ugeirm Sindicato, Fábio Castro considerou a situação “absurda” sobretudo após a Justiça suspender no dia 19 de setembro passado a utilização de contêineres-cela no pátio do Instituto Penal de Novo Hamburgo. “Eles não eram a solução ideal, mas tinham por exemplo ar-condicionado”, lembrou. “Nos preocupa é que os presos sejam agora colocados de novo no pátio da DPPA de São Leopoldo. Isso causa uma insegurança e constrangimento muito grande, além de atrapalhar o funcionamento dela”, avaliou. “Na rua é ruim, mas dentro da delegacia é retroceder o que havia acontecido. O ideal é que o Judiciário revise a medida e permita a retomada dos contêneires”, acrescentou. “Delegacia não é presídio e servidor não é carcereiro”, concluiu.

Na semana passada, um veículo dirigido por um motorista, com sinais de embriaguez, trafegou na contramão na rua e colidiu bem perto da DPPA de São Leopoldo. Os policiais militares chegaram a pensar que poderia ser uma ação de resgate de algum detido, mas esclareceram o que havia ocorrido antes que adotassem uma reação. Familiares dos presos também estão indignados com a situação no local.

Na manhã de terça-feira, o superintendente da Susepe, César da Veiga, vistoriou a obra da futura Penitenciária Estadual de Sapucaia do Sul. A previsão de conclusão é no final deste ano. Com a construção da unidade, serão geradas 600 novas vagas no regime fechado. Ele destacou que os novos servidores, que concluíram o curso de formação no último dia 23, estão capacitados para iniciar o trabalho na nova casa prisional.