Servidores e aposentados ligados a órgãos federais e estaduais eram alvos de quadrilha no RS

Servidores e aposentados ligados a órgãos federais e estaduais eram alvos de quadrilha no RS

Grupo aplicava o golpe do empréstimo consignado, e um dos criminosos chegou a movimentar R$ 5 milhões

Felipe Samuel

Operação foi deflagrada em Porto Alegre, Canoas e Gravataí

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A operação Lucas 12, desencadeada pela Polícia Civil nesta quinta-feira contra uma quadrilha que aplicava o golpe do empréstimo consignado, revelou como funcionava o esquema criminoso. A ofensiva teve mandados cumpridos no Rio Grande do Sul, nas cidades de Porto Alegre, Canoas e Gravataí. Titular da Regional de Juazeiro do Norte, o delegado Giovani Silva de Moraes afirmou que a quadrilha operava em Canoas, na Região Metropolitana, e era especializada em estelionatos em ambiente virtual, onde efetuavam empréstimos falsos. De acordo com Moraes, os criminosos tinham um perfil definido para as vítimas. Os estelionatários miravam servidores públicos, pensionistas e aposentados que tivessem relação com algum órgão estadual ou federal. 

“Escolhiam servidores públicos, pensionistas e aposentados vinculados a algum órgão estadual ou federal”, destacou Moraes. Ele explicou que os criminosos ligavam para as vítimas, como se fossem correspondentes bancários, e davam continuidade às conversas por meio do aplicativo Whats App. Foi o que ocorreu com uma das vítimas que registraram boletim de ocorrência. “Com posse das informações dela, inclusive com valores que ela tinha de empréstimos consignados anteriores, deram um grau de confiabilidade para que ela fizesse um novo empréstimo no portal gov.br”, ressaltou. É o chamado “golpe da portabilidade de empréstimo – compra de dívida”.

Em seguida, a vítima transferiu um valor recebido do banco para a conta dos criminosos “sobre a pretensa compra de dívida”. “Faziam a promessa de reembolso daqueles valores que ela já havia pago nos empréstimos anteriores”, completou, destacando que a operação está na quarta fase. “A gente conseguiu estruturar o esqueleto da organização criminosa, desde os responsáveis pelas ligações telefônicas para as vítimas até os responsáveis pelo recebimento dos valores e o chefe da organização criminosa, que se beneficiaram economicamente com o crime”, afirmou.

Movimentação de R$ 5 milhões 

Com a quebra do sigilo bancário de um dos investigados e as informações coletadas a partir de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os policiais avançaram nas investigações. “Só um dos criminosos movimentou R$ 5 milhões”, pontuou. As vítimas são principalmente servidores públicos de todo Brasil. “Temos empréstimos confirmados de valores que foram transferidos para as contas dos criminosos de R$ 60 mil, R$ 40 mil”, completou. Segundo as investigações, alguns indivíduos que tiveram a prisão preventiva decretada possuem vínculo familiar. “Esse crime já vinha sendo praticado há aproximadamente cinco anos”, pontuou.

Titular da DRCID, o delegado Thiago Albeche afirmou que os crimes cibernéticos se intensificaram durante e pós-pandemia. Ele ressaltou que os criminosos praticam no estado de origem e em outros estados. “Os golpes migraram com uma força muito grande para o mundo virtual. Temos investigações que tratam especificamente do mesmo tipo de golpe que a investigação do Ceará acabou revelando, que são golpes envolvendo empréstimo e também a portabilidade dos salários desses servidores”, destacou.

A investigação da Polícia Civil de Juazeiro do Norte teve início em março e apura crimes de fraude eletrônica (estelionato), lavagem de dinheiro e organização criminosa. No RS, a ação contou com o apoio da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos e Defraudadores (DRCID) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). 


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