Polícia

Um ano depois, caso Bernardo ainda aguarda julgamento

Pai, madrasta e outros dois acusados pelo assassinato que chocou Três Passos seguem presos

Primeiro defensor de Leandro Boldrini solicitou que 37 pessoas fossem ouvidas
Primeiro defensor de Leandro Boldrini solicitou que 37 pessoas fossem ouvidas Foto : André Ávila / CP Memória
O ano passou depressa enquanto o processo que investiga o assassinato do garoto Bernardo Boldrini ainda tramita na Justiça. Apesar de à época da denúncia do crime pelo Ministério Público existir a expectativa de que o julgamento levaria no máximo um ano para ocorrer, neste sábado, 365 dias depois, os quatro acusados de envolvimento seguem sem ir a júri. Naquela tarde de abril, Bernardo foi morto e enterrado em uma cova rasa no município de Frederico Westphalen, sob suspeita do envolvimento do pai do menino, o médico Leandro Boldrini; a madrasta Graciele Ugulini; a amiga desta, Edelvânia Wirganovicz; e o irmão de Edelvânia, Evandro.

Todos permanecem presos, contudo. Os réus ainda não foram interrogados pela Justiça, o que deve ocorrer assim que a última testemunha de defesa for ouvida. Também está sendo aguardado o Instituto-Geral de Perícias (IGP), para que se manifeste acerca do resultado da perícia do receituário supostamente assinado por Leandro para a compra do medicamento Midazolam, provável responsável pela morte do menino.

Uma das justificativas para a demora pela decisão se haverá ou não júri popular é a quantidade de testemunhas convocadas. “Certamente, quando a promotora que então atuava no caso fez a previsão de um ano até o julgamento, não se esperava que as defesas fossem arrolar tantas testemunhas”, afirmou a atual promotora do caso Silvia Jappe, referindo-se à promotora Dinamárcia Maciel, que elaborou a denúncia. O primeiro defensor de Leandro Boldrini solicitou que 37 pessoas fossem ouvidas. Os advogados que assumiram o caso após o afastamento de Jader Marques desistiram da maioria das oitivas convocadas. Ao todo, foram realizadas 18 audiências de instrução, 25 testemunhas de acusação e 28 de defesa foram ouvidas.

Comoção de Três Passos

Na opinião de Dinamárcia, que chegou a conhecer a angústia do menino antes de ele ser assassinado, o Caso Bernardo causou comoção nacional e repercutiu até mesmo internacionalmente por uma conjugação de fatores. Um deles foi o engajamento da comunidade de Três Passos na busca pelo menino após a divulgação do suposto desaparecimento. “Essa mobilização para as buscas transmutou-se num movimento para pedir a punição dos culpados”, analisou a promotora.

Também contou para mobilizar as pessoas o fato de o menino procurar ajuda no Foro local meses antes de ser morto. Bernardo afirmou que queria outra família. Inclusive, uma reunião entre o juiz, o garoto e seu pai chegou a ser feita. Neste encontro, Leandro teria se comprometido a dar mais atenção ao filho. Bernardo teria decidido dar “mais uma chance ao pai”.