Três homens, sendo dois com tornozeleira eletrônica, trabalham na coleta de doações em Porto Alegre. Eles são alguns dos 150 apenados do regime semiaberto que o projeto Universal nos Presídios (Unp) cedeu para auxiliar vítimas da enchente no Rio Grande do Sul.
A iniciativa é coordenada pelo pastor e artista plástico Venino Aragão, de 59 anos. Ele destaca que, além da triagem dos donativos, o projeto também disponibiliza suporte a agentes e detentos de casas prisionais que foram inundadas, como é o caso da Penitenciária Estadual do Jacuí (Pej) e do Instituto Penal de Charqueadas, na região Carbonífera.
"Promovemos ações alinhadas com Superintendência de Serviços Penais (Susepe) e a Brigada Militar. Frente a um desastre como a enchente, é preciso somar o maior número possível em mão de obra. A tragédia colocou todas as pessoas no mesmo nível, o que importa é a vontade de ajudar”, destacou.
O pastor adiciona que todos os apenados participam da iniciativa de maneira voluntária. “Oferecemos chances de ressocialização aos detentos, mas é fundamental que eles queiram aceitá-las.”
Um dos integrantes do projeto é Richard Mendes Machado, de 32 anos. Com dispositivo eletrônico instalado em um dos tornozelos, ele corre de um veículo a outro para depositar mantimentos no bagageiro.
"É uma oportunidade para deixar de fazer coisas erradas e começar a ajudar os outros. Além disso, os antigos conhecidos que permanecem na vida do crime não mexem com a gente. Eles sabem que agora somos parte de um projeto sério e movido pela fé, e isso é respeitado”, pontuou o detento.