Assembleia Legislativa lança Frente de Estímulo à Doação de Órgãos

Assembleia Legislativa lança Frente de Estímulo à Doação de Órgãos

RS é um dos estados com maior número de doadores, porém número sofreu queda de 20% no último ano

Eduardo Amaral

Frente foi lançada pelo deputado Fábio Branco

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A queda de doadores de órgão no Rio Grande do Sul chamou atenção do parlamento gaúcho. A Assembleia Legislativa lançou nesta segunda-feira a Frente Parlamentar de Estímulo à Doação de Órgãos, que contou com a assinatura de 23 deputados, e pretende discutir pontos específicos sobre o tema e apontar ações para melhoria no atendimento.

Um dos primeiros assuntos que pautará os encontros é a necessidade de garantir os medicamentos aos pacientes transplantados. O Rio Grande do Sul é um dos estados com mais doações de órgãos do país, ainda assim, o número de doadores despencou 20% entre 2017 e 2018. De acordo com dados da Secretaria da Saúde, no ano passado foram feitas 238, ante 295 em 2017.

Segundo os dados apresentados durante o lançamento da Frente, o Estado ficou abaixo da meta de transplantes projetados para 2018. Enquanto isso, o Brasil teve recorde de operações no ano passado, quando foram feitas 26,2 mil cirurgias do tipo.

Os números da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), usados de base pelo Governo Federal, mostram uma tendência de crescimento desde 2007, quando foram feitos 13,3 mil operações. Mesmo assim, a entidade aponta para um crescimento baixo entre os doadores efetivos, aqueles que têm o desejo respeitado pela família. Conforme os dados, no ano passado, este índice cresceu apenas 2,4%.

Debate familiar

O principal problema para esse o recrudescimento no estado, e o crescimento abaixo do esperado no Brasil, são os familiares. Apenas no Rio Grande do Sul, 43% dos parentes nega a doação. Para a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, é necessário ampliar a rede de esclarecimentos. “Consideramos que as redes municipais de unidades de saúde, espalhadas em todo estado, assim como as estratégias de saúde da família, os agentes de saúde, são canais de informação sobre o significado de doar um órgão.”

Arita garante que o estado não perdeu a capacidade técnica para fazer os procedimentos cirúrgicos. “Temos excelência nos serviços para executar os transplantes, mas precisamos trabalhar mais a questão da família.” Em Porto Alegre o governo do Estado deve assinar um convênio com o município para o sistema de internação, no qual deverá estar todas as informações dos pacientes, o que pode agilizar a chegada dos órgão a quem precisa.

Frente deve se reunir em junho

Proponente da Frente, o deputado Fábio Branco (MDB), acredita que as ações do parlamento podem ajudar a melhorar a informação que chega à população. “Vamos tentar criar esse ambiente daquilo que já vem sendo e fortalecer as ações para que chegue ao maior número de pessoas possíveis a serem conhecedoras de como é importante ser doador.” A primeira reunião do grupo deve acontecer 45 dias após a sua criação.


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