Bolsonaro pede "calma" a quem acusa o governo de estar atrasado na vacinação

Bolsonaro pede "calma" a quem acusa o governo de estar atrasado na vacinação

Presidente também voltou a minimizar o coronavírus e defender o uso de medicamentos como hidroxicloroquina e azitromicina

Estadão Conteúdo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deve decidir no próximo domingo se as vacinas desenvolvidas pela Fiocruz, a da Astrazeneca, e pelo Instituto Butantan, a Coronavac, terão aval para uso emergencial no país

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Diante da crise no sistema de saúde de Manaus (AM), o presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar o impacto da doença no país, nesta quinta-feira, a defender o tratamento precoce com medicamentos sem eficácia comprovada, e pediu "calma" para quem acusa o governo de estar atrasado por não ter iniciado a vacinação em todo o país.

“Alguns reclamam que o Brasil está atrasado, o governo está atrasando, o governo não tomou providência para a vacinação. Calma!", disse o presidente, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, ao lado do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello . Bolsonaro rebateu críticas sobre ser chamado de "genocida" por conta da demora do início da imunização. Segundo ele, o país não é uma “republiqueta”, onde se pode fazer “negociatas” para aquisições. “Não é assim que funciona”, disse.

Ao comentar o quadro em Manaus, que vive uma situação dramática com estoques de oxigênio chegando ao fim e pacientes morrendo por asfixia,  Pazuello declarou que "a responsabilidade é da prefeitura e do governo". Ele admitiu que a cidade vive um "colapso" na situação do atendimento de saúde, mas disse que o ministério "apoia em todos os aspectos".

O ministro atribuiu a situação na capital do Estado a um conjunto de fatores logísticos, de infraestrutura e de recursos humanos, que dificultam a resposta à crise sanitária. Ao traçar o panorama da situação, entretanto, o ministro também citou o período chuvoso na região e a falta de uma "efetiva ação" no tratamento precoce da covid.

"Estamos no período chuvoso novamente no Amazonas. Não só no Amazonas, mas no Norte do país e em parte do Nordeste. E no período chuvoso a umidade fica muito alta e você começa a ter complicações respiratórias. Outro fator: Manaus não teve a efetiva ação no tratamento precoce com diagnóstico clínico no atendimento básico. Isso impactou muito a gravidade da doença", declarou.

Pazuello e Bolsonaro defendem um tratamento antecipado, com medicamentos como hidroxicloroquina e azitromicina, que não tem qualquer respaldo científico sobre sua eficácia. O presidente, inclusive, questionou o ministro, na live, se Manaus já estava dentro da estratégia. O general confirmou.

"Nós trabalhamos para mudar o Brasil com responsabilidade e com coragem. com todo o respeito a muita gente no brasil, mas dificilmente tem alguém melhor que o pazuello como gestor dentro do ministério da saúde. Segunda-feira estava cedo em Manaus. Ele vai lá e resolve o assunto. Tem gente que tá morrendo no canto do hospital como se tivesse morrendo afogado. Imediatamente as coisas são resolvidas", afirmou Bolsonaro.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deve decidir no próximo domingo se as vacinas desenvolvidas pela Fiocruz, a da Astrazeneca, e pelo Instituto Butantan, a Coronavac, terão aval para uso emergencial no país. 

Embora Bolsonaro tenha ironizado a eficácia de 50,4% da Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantã com o laboratório chinês Sinovac, Pazuello elogiou o imunizante e garantiu que a distribuição das doses começará ainda em janeiro, em todos os Estados simultaneamente.

"Não há problema algum com relação à eficácia. A vacina do Butantan vai ser muito importante, se for aprovada pela Anvisa, porque vai nos trazer a tranquilidade de não agravar a doença. As pessoas que tomarem a vacina pelo menos não terão a doença agravada, não cairão numa UTI, num respirador".

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