Política

Câmara cancela trabalho das comissões para esforço concentrado no Plenário

Plenário discute pautas econômicas; ministro Flávio Dino havia sido convocado, mas nova data ainda não foi definida

Desfile militar convocado pelo presidente será cenário de fundo do Congresso durante votação da proposta
Desfile militar convocado pelo presidente será cenário de fundo do Congresso durante votação da proposta Foto : Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados cancelou todas as reuniões das comissões permanentes e temporárias da Casa que estavam marcadas para esta semana, seguindo as ações do presidente Arthur Lira (PP-AL) para concentrar esforços nas agendas do Plenário. Entre as pautas a serem discutidas estão a reforma tributária, o arcabouço fiscal e o voto de qualidade do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), além do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Escola em Tempo Integral.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, havia sido convocado para comparecer à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado na terça (4), mas com o cancelamento, a reunião será reagendada.

Segundo Lira, a discussão dos temas foi ajustada com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. "Combinamos um esforço concentrado. Trabalharemos juntos", comentou na sexta (30). Uma reunião de líderes está marcada para a noite deste domingo (2) para encaminhar as pautas.

As comissões da Câmara são órgãos temáticos formados pelos deputados para debater e votar as propostas legislativas relacionadas a seus temas, com composição parlamentar renovada a cada ano. Estavam previstas para essa semana reuniões das comissões de Saúde, Constituição e Justiça, Educação, entre outros.

Voto de Qualidade no Carf

Até o momento, a pauta do plenário está trancada pela proposta que retoma o voto de qualidade no Carf. Na prática, o mecanismo é o que possibilita que representantes da Fazenda desempatem votações em julgamentos a favor da União, o que pode ampliar a arrecadação. Desde 2020, as votações empatadas sobre as infrações tributárias eram decididas a favor do contribuinte. O retorno do voto de desempate pode aumentar o cofre do governo em R$ 59 bilhões anuais.

O relator do projeto é o deputado Beto Pereira (PSDB-MS), que não apresentou o parecer. Esse deverá ser o primeiro item em votação na Câmara, a não ser que o governo retire a urgência para liberar a análise de outras matérias.

Marco Fiscal

A outra proposta do governo que vai ser analisada no plenário é o novo marco fiscal. O projeto foi aprovado na Casa, mas sofreu alterações no Senado. Com isso, o texto precisa passar novamente pela Câmara para a avaliação das mudanças.

No Senado, três itens foram retirados da meta de crescimento de gastos: o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), a complementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e as despesas com ciência, tecnologia e inovação.

Reforma tributária

Também há a expectativa de que os deputados iniciem a votação do projeto de reforma tributária. O relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), apresentou um parecer preliminar que propõe a substituição de cinco tributos (IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS) por uma Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), gerida pela União, e um Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), gerido por estados e municípios.

O texto ainda está sendo negociado com União, municípios e estados. Na última quinta-feira (29), em reunião com secretários de Fazenda, o relator recebeu uma série de sugestões ao texto.