Conselho de Ética oferece mais uma chance para defesa de Delcídio

Conselho de Ética oferece mais uma chance para defesa de Delcídio

Pela terceira vez, senador não foi prestar esclarecimentos sobre acusação de tentar interferir na Lava Jato

Agência Brasil

Pela terceira vez, senador não foi prestar esclarecimentos sobre acusação de tentar interferir na Lava Jato

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O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado decidiu nesta terça-feira dar uma última oportunidade para que o senador Delcídio do Amaral (sem-partido-MS) se defenda no colegiado, antes que o parecer do relator do caso, Telmário Mota (PDT-TO), seja votado.

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O novo depoimento foi marcado para a próxima terça-feira, às 14h30min. Hoje, pela terceira vez, Delcídio não atendeu ao chamado do conselho prestar esclarecimentos sobre a acusação de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato.

Nas duas sessões anteriores à de hoje, o senador apresentou atestado médico. Desta vez, amparado por uma decisão do próprio Conselho de Ética, do dia 29 de março, de dar cinco dias para que o senador se defenda, a partir do recebimento da cópia da gravação feita por Bernardo Cerveró. Na gravação, Delcídio eferece, à época que era líder do governo no Senado, um plano de fuga e uma mesada de R$ 50 mil ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, pai de Bernardo, para que ele não fechasse de delação premiada com o Ministério Público Federal. Além disso, a decisão do Conselho de Ética, também incluía o recebimento da delação de Cerveró.

Delcídio argumentou que, como o Supremo Tribunal Federal ainda não encaminhou esses documentos ao colegiado, ele estaria desobrigado de apresentar sua defesa antes que isso acontecesse.

Irritação

Irritados com a postura de Delcídio, que na avaliação dos senadores, está postergando propositadamente a ida ao Senado, os senadores recuaram da decisão tomada em março para ouvir Delcídio após a juntada desses documentos. Hoje, um novo requerimento, apresentado pelo relator e aprovado por unanimidade, dispensa o envio dos dados antes do depoimento do senador acusado.

Os senadores do conselho também criticaram o fato de o senador ter sempre um motivo para não vir ao colegiado, ao mesmo tempo que tem dado entrevistas a revistas e diversas emissoras de televisão. Em entrevista, Delcídio diz que retornará ao Senado para votar a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

Advogado

A última chance que será dada a Delcídio, antes da apresentação do relatório, foi dada em atendimento a um pedido feito advogado do senador, Raul Amaral, que acompanhou a sessão. A ideia de vários senadores era dispensar o parlamentar e dar sinal verde para a fase de elaboração do relatório e votação do parecer. O advogado afirmou que, na próxima semana, o senador, comparecerá. Mas, ao ser pressionado pelos senadores a dar alguma garantia, o advogado disse que não poderia prever, por exemplo, "se até lá o senador não será atropelado".

Após ser submetido em São Paulo a uma cirurgia para a retirada da vesícula e de pólipos, o último atestado apresentado por Delcídio, no dia 5 de abril, venceu na última sexta. Até o fechamento desta matéria, nenhum outro havia sido entregue. Assim, se não comparecer à sessão na tarde desta terça-feira, o senador será considerado faltoso. 

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