CPI da Covid: senadores discutem ajuste em relatório para superar mal-estar

CPI da Covid: senadores discutem ajuste em relatório para superar mal-estar

Após vazamento de prévia do texto final, senadores vão jantar em 'território neutro' e discutir pontos delicados do relatório

R7

Omar Aziz e Renan Calheiros protagonizaram mal-estar em torno de divulgação de relatório

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Depois de dias de tensão no grupo majoritário da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, os senadores organizam uma reunião para acalmar de vez os ânimos em relação ao relatório de Renan Calheiros (MDB-AL). Os integrantes do chamado G7 se encontrarão na noite desta terça-feira para bater o martelo sobre pontos de divergência no parecer a ser lido por Calheiros nesta quarta-feira. 

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), havia demonstrado irritação após partes de uma versão do relatório serem divulgadas na imprensa. Após a reunião dessa segunda, Aziz insinuou que o relator permitiu o vazamento do texto, mesmo sem consenso no grupo majoritário, para que se algo for retirado, Calheiros possa dizer que não foi o responsável pela mudança. "Espero que ele não perca tempo e se esforce para retirar, porque ninguém é besta aqui e a gente não coloca a carroça na frente dos bois à toa", afirmou, referindo-se ao vazamento do relatório.

Os senadores seguiram durante quase todo o funcionamento da comissão com poucos desentendimentos públicos. O mais marcante até então foi durante a reunião dedicada a ouvir o deputado estadual do Amazonas Fausto Vieira dos Santos Junior (MDB). Na ocasião, em junho, Eduardo Braga e Omar Aziz acabaram batendo boca. Após o ocorrido, o G7 se manteve unido. Com o vazamento de informações acerca do relatório final, a maioria dos integrantes se irritou com Renan. No entendimento desses senadores, o alagoano descumpriu o acordo de que o texto seria entregue primeiro ao grupo.

Renan, por sua vez, se defendeu dizendo que seu relatório seguirá a maioria e que a versão divulgada era antiga e já tinha passado por modificações. Com as acusações, houve irritação também por parte de Renan. O senador cogitou não entregar o relatório antes da leitura na quarta, mas foi dissuadido após a fervura baixar.

No fim da tarde de segunda, os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) se empenharam para tentar apaziguar os ânimos. Ambos estiveram no gabinete de Renan no fim da tarde de segunda e saíram da sala com a última versão do relatório. O  alagoano e sua equipe também distribuíram o arquivo com mais de 1.100 páginas para os demais integrantes do G7 – que, além dos três, inclui o próprio Omar Aziz, Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE) e Eduardo Braga (MDB-AM).

Para que os senadores se entendam de vez, um jantar na casa de Jereissati está agendado para esta noite. O objetivo é alinhar os pontos mais divergentes no relatório, como a imputação do crime de genocídio de indígenas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugerida na última versão do relatório e a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) no rol de pedidos de indiciamento.

Randolfe também pleiteia a inclusão do ministro da Economia, Paulo Guedes, na lista de 70 pessoas e duas empresas às quais Renan sugere que sejam responsabilizadas na Justiça. Ainda não há, entretanto, consenso sobre a inclusão. Durante o jantar nesta terça, a expectativa é que Renan ouça sugestões e defenda os pontos mais delicados.

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