Política

Em depoimento à PF, João Santana admite contas não declaradas no exterior

Publicitário disse que todos os recursos recebidos foram de forma lícita

João Santana prestou depoimento na Polícia Federal
João Santana prestou depoimento na Polícia Federal Foto : STR / AFP / CP
O publicitário João Santana admitiu, em depoimento à Polícia Federal, a existência de contas não declaradas no exterior. Porém, ressaltou que todos os recursos foram obtidos de forma lícita e que não recebeu valores no exterior sobre serviços prestados para campanhas eleitorais no Brasil e que não tem relacionamento com a empreiteira Odebrecht.

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Santana disse que é o controlador da conta da empresa offshore Shellbill, na Suíça, investigada pela Lava Jato. Segundo ele, a conta foi aberta entre 1998 e 1999, por meio de um representante no Uruguai, para receber cerca de U$S 70 mil pelos serviços prestados na Argentina. O publicitário disse que tinha interesse em legalizar a conta, mas "sempre houve dúvidas em relação a qual país devesse fazê-lo." João Santana também declarou que a conta passou a receber mais recursos em 2011 e 2012, quando ele trabalhou em campanhas presidenciais no exterior.

Os investigadores da operação suspeitam que Santana e sua mulher receberam US$ 7,5 milhões em uma conta na Suíça que seria controlada pela Odebrecht.

Trechos do depoimento

"Se recorda de que a campanha em Angola teve custo de U$S 50 milhões, não se recordando dos valores das campanhas da República Dominicana e Venezuela. Não sabe esclarecer a origem dos valores que ingressam na conta bancária da Shellbill", diz trecho de depoimento.

A defesa de  João Santana e de sua mulher, Mônica Moura, pediu ao juiz federal Sérgio Moro a revogação de prisão decretada na 23ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na última segunda-feira. Eles estão presos na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Na petição, o advogado Fábio Tofic afirma que não há mais motivos para que o casal continue preso, sendo que eles admitiram, em depoimento à Polícia Federal,  que receberam recursos lícitos em contas não declaradas no exterior, "admitiram erros" e autorizaram o acesso às suas movimentações bancárias.

"São empresários de renome do marketing político brasileiro e internacional, e, se cometeram algum pecado, foi o de receber recursos lícitos, fruto de trabalho honesto, em conta não declarada no exterior, crime que, nem mesmo neste egrégio juízo, costuma sujeitar o réu ao cumprimento de prisão antecipada", diz a defesa.