Em evento, Pedro Simon ressalta a resistência política

Em evento, Pedro Simon ressalta a resistência política

Assembleia fez homenagem aos deputados que mantiveram o Legislativo aberto durante a repressão

Flávia Simões*

Homenagem aconteceu no teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa

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Em um momento de intensas articulações para a eleição de 2022, integrantes do MDB se reuniram no teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa, para prestigiar o ex-governador e ex-senador Pedro Simon, durante  o Concerto da Democracia. O evento foi uma homenagem da Assembleia Legislativa à 42ª Legislatura, de 1967 a 1971, que se manteve aberta durante o período de vigência do AI-5, durante a ditadura militar.

Aos 91 anos, o ex-governador, que integrava a Legislatura à época, discursou por quase uma hora no palco do Dante Barone. Ao lado do filho, o deputado estadual Tiago Simon, e do presidente da Casa, Gabriel Souza, Pedro Simon fez um resgate histórico, começando com a instauração do regime militar em 1964, até os dias atuais.

Citando a resistência dos parlamentares gaúchos, que mantiveram as portas da Assembleia abertas, Simon contou sobre os atos que levaram a criação da Assembleia Constituinte e que proporcionaram às Diretas Já. “Acho que a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul tem uma página na história do Brasil que merece ser recordada”, ressaltou ele, frisando a participação dos parlamentares gaúchos como precursores. 

Ao traçar os fatos históricos, o ex-governador contou das articulações do MDB que levaram a indicação de José Sarney como vice-presidente e, ao comentar a história recente, teceu críticas ao momento político atual, relembrando os casos de corrupção da Odebrecht e da Lava Jato. "As vezes eu fico dizendo pra mim: será que eu não perdi tempo? Mas a minha consciência me diz que as coisas estavam tão evoluídas que ou a gente resolvia, ou eu não sei onde ia parar", pontuou.

Emocionado, Simon disse, por fim, que não queria ser ele o homenageado, mas sim o que foi feito dentro do Parlamento naquela época. Encerrou seu discurso projetando dias melhores para o país. "O que eu quero é fazer história, e acho que é uma boa história o que nós vamos fazer aqui".

Filho do ex-governador e proponente da homenagem, o deputado Tiago Simon fez um relato da situação do país na época. Em meio à censura, descreveu o Parlamento como sendo uma “trincheira de resistência democrática”. “Aqui, nesse lugar, nessa Casa, nesse Parlamento, as portas se mantiveram abertas, e a Tribuna, intocável”, enalteceu. O deputado fez questão de homenagear o pai e recordar sua trajetória política. “No palco, Simon é uma história viva e uma ponte que interliga três gerações presentes em um momento histórico".

No mesmo tom, o presidente da Casa também prestou sua homenagem aos deputados que mantiveram a Assembleia aberta, frisando a importância de contar a história do Parlamento gaúcho, que, ao se manter aberto, quando Legislativo de quase todos os estados havia fechado, “se consagrou como uma fortaleza”. “Aqui se resistia, se denunciavam e se discutiam formas de combater a opressão”, contou. Reiterando, por fim, a independência do Parlamento.  “Não nos conformamos com as injustiças e não nos acomodamos ao cabresto”.

Na plateia, lideranças do MDB 

O evento, que contou com o concerto da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), teve a participação de importantes lideranças do MDB no Estado. Por exemplo, na primeira fila, estavam o presidente estadual do partido, Alceu Moreira; o ex-governador José Ivo Sartori; e o prefeito da Capital, Sebastião Melo. O chefe da Casa Civíl, Artur Lemos, representou o governo. Além deles, deputados estaduais e o deputado federal Giovani Feltes, secretários estaduais e municipais do partido também compareceram.

*Sob supervisão de Mauren Xavier

 


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