Em evento sobre sustentabilidade, Bolsonaro critica ambientalistas e ONGs: “conheço essa raça"

Em evento sobre sustentabilidade, Bolsonaro critica ambientalistas e ONGs: “conheço essa raça"

Presidente defendeu a liberação do garimpo em terras indígenas e voltou a refutar críticas internacionais

Jonathas Costa

Bolsonaro participou da cerimônia de abertura da primeira Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus

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O presidente Jair Bolsonaro atacou ambientalistas e Organizações não Governamentais com atuação na região amazônica em discurso na abertura da Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (Fespim) nesta quarta-feira. 

“Aos poucos, a verdade aparece. Há dois meses falei que a questão das queimadas eram patrocinadas sim por ONGs. Eu conheço essa raça. Tirando as exceções, eu conheço esse pessoal”, afirmou, ao se referir a prisão de brigadistas voluntários no Pará ontem, após um inquérito da Polícia Civil do estado acusar quatro pessoas de provocar incêndio em área de proteção ambiental e desviar doações. O grupo nega as acusações e alega que as prisões e apreensões foram realizas sem decisão judicial.

 

Bolsonaro também criticou os ambientalista ao citar a recente liberação da plantação de cana de açúcar no Amazonas: “Na hora de assinar o decreto, tinha gente do meu lado preocupado: ‘você vai ser massacrado pelos ambientalistas’. Opa! Se os ambientalistas atuais vão me massacrar, estou no caminho certo.”

Ele também defendeu uma revisão da legislação vigente para fomentar o desenvolvimento da região e, ao mesmo tempo, defender a soberania nacional. “Nós queremos o índio fazendo dentro da sua terra exatamente o que o fazendeiro faz do lado. (Queremos que o índio) possa, inclusive, garimpar”, defendeu, ao relacionar que “a História comprova que havia muito interesse nessa região muito antes do nosso descobrimento”. 

Bolsonaro também lançou dúvidas sobre a origem do ouro roubado em julho no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. “Eu, como presidente da República, estou tendo dificuldade em saber daquele roubo de 700 quilos de ouro em São Paulo. De onde vieram um quarto de sacos de pedras preciosas? Talvez, não posso afirmar, de terras indígenas. De lá, tirado a preço de quê?”, discursou. Na coletiva de imprensa realizada após o evento, contudo, o presidente não soube dizer em que se baseou para levantar as dúvidas. “O que são indícios de um crime? Você não sabe? Se não sabe, volta para a escola”, retrucou ao jornalista.

A imprensa também foi alvo de críticas. “Na ONU deixei bem claro quem era o Brasil. E como fui criticado pela mídia do Brasil! Eu dei graças a Deus, porque era sinal de que estava no caminho certo. Quero uma imprensa livre e independente, mas uma imprensa voltada para a verdade”, criticou, aplaudido pelo público. 

Ele chegou a Manaus na noite de ontem acompanhado da primeira-dama Michele Bolsonaro, quando participou de um culto religoso em sua homenagem. Na chegada à igreja, foi recebido por um grupo de manifestantes com faixas contrárias ao governo. Lá dentro, contudo, recebeu homenagens e um oração especial. 

Esta é a segunda viagem de Bolsonaro à região neste ano, a primeira após as polêmicas em torno das queimadas na floresta. Em setembro, o Instituto Nacional e Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmou os dados divulgados meses antes que já indicavam aumento recorde de queimadas no bioma Amazônia. Somente no mês de agosto deste ano região teve 30.901 focos de incêndio, um aumento de 196% na comparação com o mesmo período de 2018. O registro também é o maior para um mês de agosto desde 2005.

A primeira edição da Fespim acontece justamente para apresentar as inovações e investimentos na área de sustentabilidade e a capacidade do governo em desenvolver a região, que tem um dos maiores polos industriais do país, sem afetar o bioma local. 

O superientendente da Suframa, corenel da reserva Alfredo Alexandre Menezes Júnior, enalteceu os números da Zona Franca de Manaus obtidos nos últimos meses. Segundo ele, o polo, que hoje possui 500 empresas, apresentou crescimento de 7,5% até agosto, o melhor resultado em seis anos. Ele classificou esses resultados com os investimentos feitos pelo governo federal na região. "O senhor está resgatando o sonho dos fundadores da Zona Franca", agradeceu Menezes ao se dirigir a Bolsonaro.

Já o prefeito de Manaus defendeu que a manutenção dos benefícios fiscais não é suficiente para a região e pediu investimentos em telefonia, internet e em hidrovias. 

A feira acontece até a sexta-feira e reúne empresários locais e especialistas internacionais na área de meio ambiente.  


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