Ernesto Araújo defende Mercosul aberto e democrático
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Ernesto Araújo defende Mercosul aberto e democrático

Durante a Cúpula do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, ministro afirma que há potencial a ser explorado

Por
Henrique Massaro

Chefes de delegação dos estados partes e associados do Conselho de Mercado Comum se reuniram em Bento Gonçalves

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Após a reunião com os estados parte do Conselho do Mercado Comum, o ministro Ernesto Araújo defendeu, em sessão com os associados, um Mercosul “aberto e democrático”, que, segundo ele, depende diretamente de uma América do Sul nos mesmos moldes. Durante a Cúpula do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, o chanceler brasileiro ressaltou que, desde o início do ano, há uma virtual área de livre comércio com todos os países sul-americanos, à exceção ainda de Guiana e Suriname, e que é grande o potencial a ser explorado nesse sentido. “O desafio agora é aproveitar essa abertura, ampliar e aprofundar a integração comercial na região e com o resto do mundo”, destacou.

Para Araújo, o sucesso de iniciativas integradoras comercialmente depende do crescimento do comércio, dos investimentos e da diversificação das exportações. O ministro chamou a atenção para o fato de que 2019 tem sido um ano bastante positivo para a agenda de abertura do Mercosul. Citou, por exemplo, que, em junho, foi fechado o pilar comercial do acordo de associação com a União Europeia e, em agosto, foi concluída negociação de parceria com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Segundo ele, essas celebrações ocorreram em um momento de intensificação de negociações com parceiros diversos. “Claramente, representam um ponto de inflexão para o Mercosul, tendo aumentado muito o interesse dos nossos parceiros comerciais ao redor do mundo em buscar o estreitamento de seus vínculos conosco”, afirmou.

O chanceler mencionou também a conclusão, no ano passado, do acordo do Brasil com o Chile, segundo ele o mais abrangente e moderno de matérias não-tarifárias. “É o modelo que o Brasil tenciona seguir com outros países interessados em ancorar os valores democráticos em nossa região e em obter compromissos que potencializem os benefícios da liberalização tarifária já alcançada entre nós”, explicou. Citou também que o Mercosul já iniciou contatos para dar início a acordos bilaterais com países da América Central. “Existe um futuro brilhante à espera de toda nossa região se soubermos perseverar no bom caminho da integração aberta e da democracia.”

“Caminho de Compostela” sul-americano

Durante a sessão na tarde desta quarta-feira, o ministro Ernesto Araújo também disse que, durante a Cúpula do Vale dos Vinhedos, deve ser aprovada uma declaração presidencial sobre a iniciativa “Caminho das Missões”, que, segundo o chanceler, será como se fosse uma versão sul-americana do Caminho de Santiago de Compostela, da Espanha.

O projeto conectará as sedes das missões jesuíticas e indígenas nas fronteiras dos países do Cone Sul. Araújo também elogiou o potencial do município de Bento Gonçalves, onde ocorre a Cúpula. “Esta é uma terra rica em empreendedorismo e em liberdade.”