Política

Feliciano critica Maria do Rosário e cita ano eleitoral

Ministra dos Direitos Humanos prometeu lutar contra aprovação do projeto sobre "cura gay"

Feliciano evitou responder sobre críticas que tem recebido
Feliciano evitou responder sobre críticas que tem recebido Foto : José Cruz / ABr / CP
O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara, deputado Marco Feliciano (PSC-SP), rebateu nesta quarta-feira as declarações da ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que prometeu lutar contra a aprovação do projeto conhecido como "cura gay". “Acho que ela está mexendo onde não devia. Senhora ministra, juízo", ironizou Feliciano.

Ontem, Maria do Rosário disse que vai trabalhar para evitar a aprovação da proposta que autoriza psicólogos a tratar homossexuais com o objetivo de curá-los, a chamada “cura gay”. O texto foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), em votação simbólica.

Para Feliciano, a ministra deve “tomar cuidado” porque 2014 é um ano eleitoral. “Fale com a a presidenta (Dilma Rousseff) porque o ano que vem é político”, disse Feliciano em referência ao apoio dos evangélicos à eventual candidatura de Dilma para disputar a reeleição. “Dona ministra Maria do Rosário, dizer que o governo vai interferir no Legislativo é muito perigoso. É perigoso, dona ministra, principalmente, porque ela mexe com a bancada inteira, feita não só por religiosos”, acrescentou Feliciano.

Perguntado sobre as críticas que vem recebendo em manifestações espalhadas pelo País, Feliciano preferiu não responder e disse que abrirá espaço na CDH para ouvir as reivindicações de minorias como os negros e índios. “Essas minorias têm que ser ouvidas nesta Casa. São brasileiros de verdade, herdeiros das pessoas que foram escravizadas no país. A situação deles não é enxergada pelo governo como deveria ser. Como a situação dos índios. A morte dos índios (Terenas, em Mato Grosso do Sul) poderia ter sido evitada se a Comissão de Direitos Humanos tivesse se debruçado sobre a situação deles nos últimos oito ou dez anos, coisa que não aconteceu.”

O projeto de decreto legislativo que prevê a chamada "cura gay", de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), visa suprimir um dos trechos da Resolução nº 1/99 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que proíbe os profissionais da área de participar de terapia para alterar a orientação sexual e de atribuir caráter patológico (de doença) à homossexualidade. A proposta ainda precisa ser votada pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça (CCJ).

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