Festa da vitória de Lira ignorou protocolos sanitários

Festa da vitória de Lira ignorou protocolos sanitários

Evento contou com a participação de 300 pessoas, com grande maioria sem máscaras

AE

Arthur Lira foi eleito presidente da Câmara nesta segunda-feira

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Horas após dizer que colocará em votação medidas de combate à pandemia de covid-19 e defender a vacinação contra a doença, o novo presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), promoveu uma grande festa de comemoração de sua vitória, em uma casa no Lago Sul, área nobre de Brasília. Cerca de 300 pessoas estiveram no local e poucos convidados usavam máscaras de proteção facial, o que incluía ministros do governo de Jair Bolsonaro, fiador da eleição de Lira.

A festa de Lira ocorreu na luxuosa casa do empresário catarinense Marcelo Perboni, produtor e comerciante de frutas acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de se apropriar indevidamente de R$ 3,8 milhões. Perboni foi denunciado por fraudar a fiscalização tributária ao omitir receitas. A assessoria de Lira informou que o deputado "não foi responsável pela organização do evento".

"Estamos discutindo o débito, mas os valores já estão integralmente depositados, com juros e correção", afirmou o advogado do empresário, Marcelo Bessa. O caso aguarda desfecho.

Amiga de Daniela Perboni, mulher do comerciante, a deputada Celina Leão (Progressistas-DF) disse que pediu a casa para abrigar a festa por ser um local amplo e arejado. A propriedade numa "ponta de picolé" é o estilo mais valorizado na capital federal por ter acesso ao Lago Paranoá.

Convidados

Articulador político do Palácio do Planalto, o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, foi um dos presentes à festa. Como revelou o Estadão, o gabinete do ministro se tornou um QG da campanha de Lira na reta final, onde cargos e emendas eram negociados. Ramos tratou Lira como "cabra da peste" e deu tapinhas no ombro para reverenciá-lo pela vitória. O ministro Fabio Faria (Comunicações) e os secretários Fabio Wajngarten (Comunicações) e Jorge Seif (Pesca) completavam o time do governo na festa.

Deputados e políticos aliados, como Roberto Jefferson, condenado no mensalão e presidente do PTB, eram maioria. Aliados avaliavam que Lira não seria subserviente a Bolsonaro. Um apoiador de Lira ponderou, no entanto, que ele começou mal ao dissolver o bloco da oposição como primeiro ato.

Até quem não apoiou Lira compareceu. A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) passou para dar um abraço no novo presidente. Figuras antes identificadas com a Operação Lava Jato, que investiga Lira, dançavam animadas, como o militante conservador Tomé Abduch, do movimento Nas Ruas.

O bufê tinha opções de pratos quentes, entre massas e paella, e tortas de sobremesa. Imagens de bastidores das viagens da campanha foram exibidas num telão. No meio da festa, a música foi interrompida para um discurso. "A partir de amanhã (ontem), a vida é dura", afirmou Lira.


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