José Dirceu se entrega à Polícia Federal em Curitiba
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José Dirceu se entrega à Polícia Federal em Curitiba

Acidente em rodovia atrasou chegada de ex-ministro

Por
Correio do Povo e AE

José Dirceu chegou com quase seis horas de atraso na Polícia Federal em Curitiba

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Quase seis horas depois do prazo estipulado pela Justiça, o ex-ministro José Dirceu se apresentou no final da noite desta sexta-feira à Polícia Federal (PF) em Curitiba, no Paraná. Ele era para ter se apresentado às 16h, mas, conforme a defesa do político, um acidente ocorrido na BR 116 acabou atrasando a chegada dele em solo paranaense. Dirceu optou por ir de carro de Brasília, onde mora, até Curitiba. São cerca de 1,4 mil quilômetros de estrada.

Condenado a 8 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro de contrato da Petrobras, Dirceu se entregou após uma ordem do juiz Luiz Antonio Bonat, da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba. 

Na sede da PF na capital paranaense está preso desde 7 de abril de 2018 o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cumprindo pena inicial de 12 anos e um mês de reclusão - imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), o Tribunal da Lava Jato -, reduzida para 8 anos e dez meses pelo Superior Tribunal de Justiça. A prisão do ex-ministro foi decretada pelo TRF-4, sediado em Porto Alegre, na sessão dessa quinta. 

Propinas em contrato superfaturado 

Os desembargadores negaram embargos de Dirceu e mandaram prendê-lo, seguindo jurisprudência do Supremo que autoriza execução provisória de pena de condenados em segunda instância. O ex-ministro foi condenado em primeira instância pelo então juiz Sergio Moro. A Lava Jato sustenta que Dirceu pegou propinas em contrato superfaturado da Petrobras com a empresa Apolo Tubulars, fornecedora de tubos para a estatal, entre 2009 e 2012, quando o petista, então réu em outra ação penal, a do Mensalão, já não ocupava cargo no governo Lula.

A força-tarefa do Ministério Público Federal revela que parte dos valores do contrato da Petrobras, que chegaram a R$ 7.147.425,70, foi repassada a Renato Duque, ex-diretor da área de Serviços da estatal, e parte a Dirceu. Para disfarçar o caminho do dinheiro, o ex-ministro e seu irmão, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, teriam usado a empresa Credencial para receber R$ 700 mil - o restante teria sido usado para bancar despesas com uso de aeronaves em mais de 100 voos realizados pelo ex-ministro. Em outra ação penal da Lava Jato, Dirceu está condenado a uma pena mais grave ainda, 30 anos, 9 meses e dez dias de reclusão, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertinência à organização criminosa.