Kerry sinaliza intenção dos EUA em investir no Fundo Amazônia, mas não cita valores

Kerry sinaliza intenção dos EUA em investir no Fundo Amazônia, mas não cita valores

Durante reunião com Alckmin, a autoridade norte-americana disse que irá se empenhar para conseguir "recursos vultosos"

R7

O enviado dos EUA, John Kerry, durante encontro com o vice-presidente, Geraldo Alckmin

publicidade

Após reunião com o enviado especial dos Estados Unidos para o Clima, John Kerry, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (27) que a autoridade norte-americana não informou os valores que serão repassados pelo país ao Fundo Amazônia, mas que irá se empenhar, inclusive com a iniciativa privada, para que a medida de fato aconteça.

"O enviado John Kerry não definiu valor, mas colocou que vai se empenhar junto ao governo, junto ao Congresso norte-americano e junto à iniciativa privada para ter os recursos vultosos, não só no Fundo Amazônia, como também em outras cooperações", disse Alckmin.

Questionado qual seria a contrapartida exigida pelos Estados Unidos para apoiar o fundo, o vice-presidente respondeu de forma contrária. "Não. O compromisso do Brasil já ficou claro na presença do presidente Lula no encontro com o presidente Joe Biden. O compromisso do Brasil de ser o grande protagonista no combate às mudanças climáticas", completou.

Em 10 de fevereiro, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Joe Biden assinaram um comunicado conjunto que diz que o país norte-americano tem a intenção de fazer parte do Fundo Amazônia, cujo objetivo é financiar projetos de redução do desmatamento e fiscalização do bioma.

"Os Estados Unidos anunciaram sua intenção de trabalhar com o Congresso para fornecer recursos para programas de proteção e conservação da Amazônia brasileira, incluindo apoio inicial ao Fundo Amazônia, e para alavancar investimentos nessa região muito importante", diz o texto elaborado pelos dois presidentes.

O documento, contudo, não especifica qual deve ser o valor disponibilizado pelos Estados Unidos ao fundo. De todo modo, o comunicado frisa que Lula e Biden "estão determinados a conferir urgente prioridade à crise climática, ao desenvolvimento sustentável e à transição energética".

O fundo estava paralisado desde 2019, com mais de R$ 3 bilhões em caixa. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tem articulado para atrair investimentos de outros países. Um deles é a Alemanha, que prometeu investimentos de R$ 35 milhões de euros.

O desmatamento na Amazônia bateu novo recorde em 2022, ano em que a cobertura vegetal da floresta perdeu 10.573 km², o equivalente a quase três mil campos de futebol, segundo relatório divulgado pelo Imazon. De acordo com monitoramento feito via satélite, o desmatamento atingiu, no ano passado, o maior patamar desde 2008, quando o instituto começou a monitorar a região.


Mais Lidas

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895