Lula se emociona e promete "combater desigualdade dia e noite" após receber faixa de presidente

Lula se emociona e promete "combater desigualdade dia e noite" após receber faixa de presidente

Mandatário apontou retrocesso com volta da fome e miséria que buscará reverter

Correio do Povo

Presidente Lula discursa a nação ao lado de Alckmin e Janja

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após subir a rampa e receber a faixa presidencial neste domingo, fez um forte e emocionado discurso contra o que classificou de "retrocessos dos últimos quatro anos". Foram cerca de 28 minutos de discurso, em que ele enfatizou: "Eu e meu companheiro vice, Geraldo Alckmin, assumimos o compromiso de combater dia e noite todas as formas de desigualdade do nosso país".

Lula fez referências à frente ampla montada antes e ao longo da campanha eleitoral e buscou ser conciliador, mesmo contra ferrenhos opositores. "Quero me dirigir aos que optaram por outros candidatos: vou governar para 215 milhões de brasileiros e brasileiras, não apenas para quem votou em mim. Pelo futuro de todos", salientou.

"A ninguém interessa um país em permanente pé de guerra e uma família vivendo em desarmonia. Hora de reatar os laços", acrescentou Lula. "Nosso povo quer paz para trabalhar, estudar, cuidar da família e ser feliz. A disputa eleitoral acabou. Repito o que disse após a vitória de 30 de outubro sobre a necessidade de unir o país", emendou o presidente.

Antes, ele fez referência aos que lhe deram apoio quando esteve preso no Paraná, antes dos processos contra ele serem extintos pelo STF. "Quero começar fazendo uma saudação especial a cada um e cada uma de vocês, uma forma de lembrar e retribuir o carinho e força que recebi todos os dias do povo brasileiro na vigília Lula Livre, num dos momentos mais difíceis da minha vida", comentou. "Hoje num dos dias mais felizes, a saudação que faço não poderia ser outra. Boa tarde povo brasileiro!"

"Não existem dois Brasis. Somos um único povo, uma grande nação. Somos todos brasileiros e brasileiras. Compartilhamos uma mesma virtude, não desistimos nunca", afirmou Lula. "Ainda que nos arranquem todas as flores, uma por uma, pétala por pétala, sabemos que é tempo de replantio. Que a primavera há de chegar e ela já chegou", sublinhou o mandatário. "Hoje a alegria toma posse do Brasil, de braços dados com a esperança."

Lula lembrou do seu primeiro discurso de posse e do combate à fome, que relatou ter sido cumprido durante seus mandatos. Ele embargou a voz e foi às lágrimas, contudo, ao citar que a extrema pobreza voltou e citar cenários disso dos últimos anos. "Muito do que fizemos foi desfeito de forma irresponsável e criminosa. A fome está de volta, não por obra da natureza, força do destino. É um crime, o mais grave de todos que foram cometidos contra o povo brasileiro", apontou. "É filha da desigualdade, a mãe dos grandes males que atrasa o desenvolvimento do Brasil", definiu, citando ainda cenas recentes de famílias buscando restos de osso em açougues e mercados, o que interrompeu seu discurso com lágrimas novamente..

"Se queremos construir nosso futuro, conviver num país desenvolvido para todos e todas, não pode haver espaço para tanta desigualdade", destacou o presidente. "A real grandeza de um país se mostra na felicidade do seu povo. E ninguém é feliz de fato em meio a tantas desigualdade."


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