Política

Moro nega pedido de Lula de suspensão de processo após morte de Marisa

Juiz de primeiro grau de Curitiba alegou que tem centenas de audiências marcadas

Lula perdeu a companheira Marisa Letícia na última sexta-feira
Lula perdeu a companheira Marisa Letícia na última sexta-feira Foto : Nelson Almeida / AFP / CP
O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, em Curitiba, negou nesta quarta-feira pedido de suspensão do processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os advogados do petista protocolaram petição, em que solicitaram o adiamento das audiências de testemunhas de defesa, em decorrência da morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, na sexta-feira.

“Apesar de trágico e lamentável acontecimento, há diversas audiências já designadas, com dezenas de testemunhas, e para as quais foram realizadas dezenas de diligências por este Juízo e pelos diversos Juízos deprecados para a sua viabilização”, escreveu Moro, em despacho. “Assim, indefiro o requerido.”

• Leia mais sobre Lula
• Leia mais sobre a Operação Lava Jato

Lula é réu nesse processo, acusado de recebimento de R$ 3,8 milhões em propinas da OAS, em forma de reforma e ampliação do triplex no Edifício Solaris, no Guarujá (SP) - que a Lava Jato diz ser do ex-presidente, e ele nega - e no custeio do armazenamento de bens, em empresa especializada.

“Pleiteia a defesa de Luiz Inácio Lula da Silva a redesignação das audiências marcadas para as próximas duas semanas tendo em vista motivos pessoas relevantes que prejudicam o contato do peticionário com sua defesa técnica e, por conseguinte, impede que esta última possa se preparar adequadamente para tais audiências”, explica o juiz da Lava Jato.

Marisa era ré no processo, mas com sua morte a acusação contra ela fica extinta. Moro lembra no despacho que “o ex-presidente foi dispensado de comparecer nas audiências de oitiva de testemunhas e, de fato, não tem comparecido”. O juiz destacou que as testemunhas, com depoimentos agendados para as próximas semanas, foram arroladas pelos advogados do ex-presidente no dia 10 de outubro de 2016, quando foi apresentada defesa preliminar de Lula no processo.

O pedido da defesa de Lula foi entregue à Justiça Federal nesta terça-feira. Nele, os criminalistas José Roberto Batochio, Juarez Cirino dos Santos, Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira alegam “motivos pessoais relevantes que prejudicam o contato do peticionário com sua defesa técnica e, por conseguinte, impede que esta última possa se preparar adequadamente para tais audiências”. “É de se concluir que a defesa já teve tempo suficiente para se preparar previamente para as inquirições em questão”, registra Moro. “Falta, por fim, amparo legal para o pleito de suspensão do processo”.