Movimento em Defesa da Democracia marcha contra impeachment de Dilma

Movimento em Defesa da Democracia marcha contra impeachment de Dilma

Entidades acompanharam em Porto Alegre marchas em defesa da democracia por todo o Brasil

Por
Jézica Bruno

Entidades acompanharam em Porto Alegre marchas em defesa da democracia por todo o Brasil


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Preocupados com o quadro político instalado no país e o avanço de pautas conservadoras no Congresso Nacional, dezenas de entidades lançaram, nesta quinta-feira, o Movimento em Defesa da Democracia e dos Direitos Sociais. O objetivo da ação instaurada por Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS), Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE) e Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV), é reafirmar a defesa da democracia e dos direitos sociais, bem como impedir retrocessos nos direitos do trabalhador. Também foi defendida a manutenção do governo Dilma Rousseff, para evitar crise contra a democracia.

O lançamento foi simbolizado pela assinatura da Carta de Porto Alegre, em que as entidades conclamam por medidas contra o ataque aos direitos sociais e defendem um processo eleitoral transparente e livre de interferências econômicas. Atos similares foram realizados em todo o Brasil. Para o presidente do CTB-RS, Guiomar Vidor, o momento é histórico. “Reunir instituições representando os trabalhadores, estudantes e movimentos populares neste momento de crise tem um significado muito grande. Vamos tornar pública a posição da sociedade civil organizada que quer a defesa da democracia”, afirmou. “Que sejam buscadas soluções, mas dentro dos pilares da democracia da sociedade brasileira para que o país possa continuar crescendo e os direitos dos trabalhadores sejam preservados”.

Segundo um dos coordenadores do movimento, o procurador do Trabalho do MPT-RS, Ricardo Garcia, a partir da união firmada será possível aperfeiçoar direitos já constituídos. “Temos hoje uma Constituição Federal que garante direitos fundamentais e não podemos ver retroceder essa condição. O nosso papel é manter a liberdade e aperfeiçoar esses direitos”, salientou.

A discussão que será proposta pelo movimento deve atingir todas as classes sociais. “Estamos alertando a sociedade sobre o valor da democracia e esse golpismo que as pessoas estão querendo insinuar. Vamos debater no campo e na cidade, envolvendo todos, porque para os trabalhadores a democracia é um movimento muito importante”, afirmou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

Marcha nas ruas


Uma caminhada que terminou com um ato político na Esquina Democrática, no centro da Capital, também marcou o dia escolhido para as manifestações a favor da permanência de Dilma Rousseff no poder. Dezenas de representantes de entidades sindicais se reuniram com políticos e magistrados, após o lançamento do Movimento em Defesa da Democracia e dos Direitos Sociais, e foram às ruas. A Brigada Militar contabilizou aproximadamente 600 pessoas presentes no ato.

Com faixas e cartazes os manifestantes gritavam “Não vai ter golpe, vai ter luta”, fazendo alusão ao impeachment da presidente da república que vem sendo pedido recentemente em manifestações por todo o país. Os integrantes do ato também se voltaram contra a Lei das Terceirizações e o presidente da Câmara Eduardo Cunha, que será denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção.

Olívio Dutra também apoiou as manifestações. “Todo o movimento social popular que defende o processo democrático é importante. Eu vivi 20 anos de ditadura e convivi com pessoas que sabem o que é interromper o processo democrático. Tem que haver mais controle do povo sobre os três poderes”, defendeu.