Líderes de partidos nanicos e do chamado "centrão" decidiram nesta terça-feira criar um novo bloco parlamentar na Câmara dos Deputados. O bloco, que será o maior da Casa, é formado por 225 deputados do PP, PR, PSD, PRB, PSC, PTB, Solidariedade, PHS, PROS, PSL, PTN e PEN.
Os líderes do novo bloco vão pressionar o presidente em exercício, Michel Temer, para que escolha o novo líder do governo entre algum parlamentar do grupo. O nome indicado pelo bloco é o de André Moura (PSC-SE).
“Vamos defender este nome, mas o grupo entende que a prerrogativa é do presidente interino Michel Temer”, afirmou o líder do PHS, Givaldo Carimbão (AL) ao deixar a reunião. O apoio não inclui parlamentares do PSDB, DEM e PPS, que defendem a indicação de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a função.
André Moura foi um dos últimos a chegar ao encontro e não comentou sobre a possível indicação de seu nome. Pessoas próximas a ele chegaram a relatar um grau de constrangimento do parlamentar, que afirmou não ter sido procurado pelo governo. O fato de ser aliado declarado do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ainda mantém algumas resistências à sua indicação. Caso assuma a liderança, o comando da bancada da maioria na Câmara pode ficar com o DEM.
Waldir Maranhão
O grupo também discutiu a situação do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), e fechou consenso de que, regimentalmente, não é possível tirá-lo do cargo. “Não encontramos formas legais. Não tem como tirá-lo, a não ser por um processo de cassação no Conselho de Ética”, afirmou Carimbão.
Para o líder do PHS, “só o tempo dirá” se Maranhão terá condições de conduzir os trabalhos no comando da Casa. Líder do partido de Maranhão, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) classificou a reunião do Colégio de Líderes como um “teste” e reiterou a posição do grupo. “Toda a Casa é lapidada por nosso regimento”, disse.
Ribeiro acrescentou que o PP convocará uma reunião da Executiva Nacional do partido até o fim do mês para decidir sobre uma possível expulsão da legenda. Nesse caso, o que está em jogo não é a decisão anunciada por Maranhão, de anular sessões da Casa quando foi aprovado o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e depois revogar o ato.
Segundo Ribeiro, o partido decidirá sobre seu futuro considerando que o deputado não respeitou o fechamento de questão na legenda e votou a favor da petista no plenário.
Novo bloco na Câmara vai indicar André Moura para assumir liderança na Casa
Segundo líder do PHS, deputado tem apoio de mais de 300 parlamentares