Política

Prefeito de Porto Alegre chama manifestantes de "baderneiros"

José Fortunati solicitará na Justiça ressarcimento de danos

Protesto ocorreu no Centro de Porto Alegre
Protesto ocorreu no Centro de Porto Alegre Foto : André Ávila
O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, falou nesta quinta-feira à rádio Guaíba sobre a manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus que terminou em tumulto na noite dessa quarta-feira. Na opinião do chefe do Executivo, as imagens captadas pelo Centro Integrado de Comando (Ceic) revelam um ato de "baderneiros."

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• Ouça: Segundo Fortunati, câmeras de monitoramento podem identificar culpados

Fortunati afirmou que os manifestantes premeditaram a confusão. “O ato foi um atentado ao estado democrático de direito. Ninguém vem para uma manifestação pacífica carregando pedaços de madeira, taquara, bolinhas de vidro e tinta”, afirmou em coletiva no Paço Municipal nesta quinta-feira.

Além do Boletim de Ocorrência registrado na Polícia Civil, uma notícia crime será entregue ainda hoje ao Ministério Público, com informações sobre o caso. “Ela está centrada no dano ao patrimônio público e cultural, qualificado pelos atos de violência”, explicou o procurador-geral do município, João Batista Linck Figueira.

O prefeito espera que os autores dos ataques, que deixaram feridas pelo menos três pessoas, entre elas  secretário de Governança Local, Cezar Busatto, sejam identificados e punidos. “As imagens são muito claras. Eles simplesmente atacaram o patrimônio, quebraram vidros. Fizeram vandalismo e provocaram a confusão”, salientou.

"Atacaram o Busatto, quando estávamos desarmados. Sempre estivemos abertos”, observou o prefeito. Segundo ele, os gestores municipais estão acostumados com protestos, que ocorrem rotineiramente. “Como não entramos na confusão, eles ficaram desarmados e nos atacaram. O ato não é contra o prefeito. É contra a cidade. Essas pessoas não entenderam o significado de democracia. Daqui a pouco estão colocando fogo em ônibus. Não vamos nos calar”, declarou.

Outras manifestações estão previstas para a próxima semana e Fortunati ressaltou que o prédio continuará cercado, com reforço na segurança. O Paço Municipal amanheceu pichado e com vidros quebrados. Logo cedo, uma equipe fez a limpeza e tentou minimizar os estragos. O comandante da 1ª Companhia do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), Euclídes Neto, declarou que devido à frequência dos protestos na região central, o número de policiais foi aumentado na área.

Série de protestos

A série de protestos que ocorre desde sexta-feira, em Porto Alegre, foi motivada pelo aumento das tarifa do ônibus em Porto Alegre – que passou de R$ 2,85 para R$ 3,05. Fortunati disse que o valor não é o ideal, mas é o que a legislação prevê. "A população não reclama de outros aumentos, como o quilo do feijão, que subiu 50% em 2012". Salientou que está sendo preparada uma licitação para o transporte público, o que não ocorre há 24 anos, segundo o vereador Pedro Ruas (PSol), líder da oposição na Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

Fortunati disse que está sendo verificada a tabela de cálculo utilizada para aumentar o preço da tarifa na Capital. Afirmou que o trabalho ocorre há mais de três meses. O prefeito admitiu que a passagem é cara, mas está enfrentando o problema de "peito aberto" e não vai fazer "proselitismo" com o preço.

Segundo Fortunati, os líderes da manifestação dessa quarta-feira são os mesmos do protesto ocorrido em outubro do ano passado, quando foi esvaziado o boneco inflável Tatu-Bola, mascote da Copa do Mundo de 2014, que estava no Largo Glênio Peres, no Centro da Capital. O prefeito acredita que os manifestantes são ligados a partidos políticos "mais do que conhecidos".



Com informações dos repórteres Karina Reif e Jerônimo Pires

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