O procurador do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou que a corrupção compensa no país. Em entrevista à Rádio Guaíba na manhã desta quarta-feira, ele explicou que 97 a cada 100 casos comprovados do crime acabam impunes, por isso uma nova proposta de reforma política é necessária.
“O crime de corrupção, infelizmente, compensa no Brasil. Por isso, precisamos de uma reforma política, mas não dessa que está aí”, disse o procurador, ao se referir à proposta que altera o modelo de eleição. “A Lava Jato nos mostrou um sistema político corrompido, apodrecido. Pessoas que estavam em funções chave de órgãos públicos arrecadavam propinas para enriquecimento próprio e para financiamento de campanhas caríssimas”, completou.
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Não realizar uma outra reforma política depois da operação, segundo Dallagnol, é como ir ao médico e não aceitar o tratamento. “A Lava Jato identificou essa doença, que é a corrupção, mas ela precisa ser tratada. E uma nova reforma é o tratamento para essa doença”, explicou. “As 10 medidas contra a corrupção foram trituradas pelo Parlamento. Estudos internacionais mostram que, em países com muita corrupção, parlamentares não aprovam medidas contra o crime. Se quisermos combater a corrupção, precisamos renovar o Parlamento, mas o distritão coloca 80% deles novamente no cargo”, completa.
O procurador também criticou o aumento no fundo partidário “em uma época de crise fiscal”. “Esse fundo é usado em campanhas hollywoodianas para manipular eleitores. Quem recebe voto é quem mais aparece em um mar de 500 mil candidatos que tivemos na última eleição. E os que aparecem mais são os que mais gastam, os que mais arrecadam via propinas. Com a Lava Jato fechando as portas contras as propinas, eles precisam buscar em outros fundos a própria eleição”, argumentou.
Dallagnol ainda disse que os brasileiros “não podem ser ingênuos” e que “esse estado de corrupção não vai mudar da noite para o dia”. No entanto, a Lava Jato já está promovendo essa mudança. “Precisamos olhar o copo meio cheio. Estamos quebrando uma série de tradições, poderosos estão indo para a cadeia. As pessoas precisam usar a sua energia não para reclamar, mas para para assumir a responsabilidade sobre a mudança do país”, afirmou.
Palestras e apartamentos do Minha Casa Minha Vida
Questionado sobre ter recebido para ministrar as palestras, o que motivou uma investigação da Corregedoria Nacional do Ministério Público, o procurador disse que palestrar não é ilegal e que doou todo o dinheiro recebido para um hospital do Paraná destinado a tratar crianças com câncer. Já sobre ter adquirido apartamentos do Minha Casa Minha Vida, Dallagnol aformou que "comprou apartamentos de baixo custo" e que "não sabia" que eram financiados pelo programa.
As críticas, segundo o procurador, são o "preço" que ele tem de pagar por estar investigando políticos que controlam veículos de comunicação. "Pago com gosto", completou.
Procurador da Lava Jato critica proposta de reforma política
Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação, afirmou que o modelo proposto não renovará o parlamento