Correio Rural Debates: Campo se torna mais profissional e digital

Correio Rural Debates: Campo se torna mais profissional e digital

Dirigentes de entidades, empresas e serviços dizem que produtor percebeu a necessidade da tecnologia para suas atividade

Danton Júnior

Debate foi apresentado pelo jornalista Sandro Fávero

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Da mecanização até as mais modernas ferramentas de gestão, a adoção de novas tecnologias no setor agropecuário pautou, ontem, a segunda edição do Correio Rural Debates deste ano. O encontro, com participação virtual dos convidados, foi coordenado pelo jornalista Sandro Fávero, teve como tema A Transformação Digital no Campo e foi transmitido pela Rádio Guaíba e pelas plataformas digitais do Correio do Povo. O ciclo se encerra hoje, às 16h, com o tema Os Desafios da Produção Sustentável. 

A agricultura familiar do Rio Grande do Sul não ficou para trás no quesito digitalização. O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Carlos Joel da Silva, afirmou que a atividade se tecnificou bastante nos últimos anos, tanto na agricultura quanto na pecuária e nas agroindústrias. Na avaliação do dirigente, a tecnologia evoluiu junto com as pessoas. “Os produtores se profissionalizaram e foram entendendo que precisavam entrar na tecnologia para continuar na atividade”, salientou. Por outro lado, o dirigente disse que ainda existem alguns gargalos para que a tecnologia avance no campo, em especial no que se refere à infraestrutura. Ele usou dados do Censo Agropecuário para afirmar que 27 mil propriedades não têm energia elétrica e 14% não possuem telefone. A internet está ausente em 64% dos endereços rurais. “São questões básicas para que essa inovação possa chegar a todos”, ressaltou. Outra preocupação citada pelo dirigente é a dificuldade do acesso ao crédito para investimentos em equipamentos. “O Pronaf veio suprir essa necessidade, só que ultimamente vem faltando recursos em determinados momentos”, resumiu. 

Novas tecnologias na área de irrigação, por exemplo, permitem que a planta receba a água no momento de maior necessidade. “Por isso é que as áreas irrigadas têm muito mais produtividade, mesmo em épocas normais de chuva”, disse o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier. O dirigente citou avanços obtidos nas últimas décadas, como o plantio direto, surgido no Rio Grande do Sul, e a inovação dos pulverizadores. “Estamos transformando o Brasil no celeiro do mundo e a tecnologia embarcada nas máquinas tem muito a ver com isso”, observou. Neste ano, com alta demanda de máquinas e com perspectivas de boa safra de grãos, a indústria do setor sofre com a falta de peças, que os fornecedores deixam de repassar porque, em razão da pandemia, também têm tido dificuldades para obter matéria-prima. Segundo Bier, isso tem feito com que a entrega de novas máquinas aos proprietários leve cerca de 120 dias. Quanto à oferta de crédito para investimentos, Bier ressaltou que o atual ano-safra enfrenta instabilidade, mas que o pequeno e médio agricultor não sentiu falta porque o BNDES supriu parte da necessidade com verba própria. 

A transformação digital no campo também passa pela capacitação dos trabalhadores. Durante a pandemia da Covid-19, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural no Rio Grande do Sul (Senar-RS) constatou que houve crescimento na busca por cursos on-line. O diretor técnico do serviço, Cláudio Rocha, afirmou que o novo cenário fez com se buscassem alternativas para manter os treinamentos à disposição do público. A saída foi fomentar as ações em EaD, a partir de uma plataforma nacional, que em três anos registrou o acesso de 1 milhão de alunos. No Rio Grande do Sul, houve um aumento de 20% no último ano. Conforme Rocha, a maior parte do público hoje é formada por mulheres. Os jovens também compõem grande parte dos beneficiados. O diretor anunciou ainda que em breve o Senar irá lançar um curso de agro digital. “O agro digital veio para trazer eficiência na produção sustentável através do uso eficiente dos recursos naturais, insumos, máquinas e pessoal”, afirmou. Rocha citou que, nos últimos 50 anos, o Brasil passou de importador para exportador de alimentos, e que a população mundial irá chegar a 10 bilhões de pessoas em 2050, o que exigirá uma produção cada vez maior. Para que o Brasil siga fornecendo esses alimentos, salientou a necessidade do uso de “ferramentas importantes na intervenção técnica e na gestão do negócio”. 

O diretor de agricultura digital da Syngenta, Ronaldo Giorgi, destacou que a noção de tecnologias digitais para o campo veio para ficar. Segundo ele, a adoção destas ferramentas começou com os grandes produtores, mas não parou de se difundir, chegando a agricultores de diversos tamanhos. “Você passa a tomar decisão praticamente por metro quadrado”, ressaltou. Neste ano, a Syngenta atingiu a marca de 50 milhões de hectares de terras agrícolas gerenciadas digitalmente. A ferramenta mais importante oferecida neste sentido é uma solução para monitoramento das lavouras e automatização dos processos. Giorgi lembrou que antigamente as anotações sobre as características de cada parte da lavoura eram feitas a mão, enquanto que hoje podem ser digitalizadas e processadas por dispositivos móveis. “Isso permite a agricultura de precisão, de fato. Com isso, o agricultor consegue responder muito mais rápido, porque ele sabe o que está acontecendo naquele momento”, observou. Entre as vantagens, está a aplicação de produtos somente nos locais onde eles são necessários, o que vai ao encontro de uma melhor rentabilidade, produtividade e sustentabilidade. 

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