Do rosa forte pigmentado pela polpa do morango ao amarelo vibrante tonalizado pelo maracujá, uma verdadeira palheta de cores nas sorveterias nos remetem à variedade de frutas existentes no país. "Saímos dos sabores tradicionais, morango, abacaxi e uva. Agora, as fábricas apostam também em frutas, como melão, mamão e goiaba, tendências neste ano. As exóticas, como mirtilo, physalis e açaí também estão em alta", enumera o presidente da Agagel, Nilson Gemelli. "Até o adorado sorvete de chocolate vem do cacau, que é uma fruta."
O dirigente diz que, além da demanda por frutas ter crescido, aumentou a presença de castanhas, amêndoas e nozes na composição do alimento gelado, promovendo combinação do cremoso com o crocante. No Estado, a noz-pecã é a mais usada. Mas como a fruta é processada e vira sorvete? Exceto a banana, que para fabricação é usada bem mais madura do que a que consumimos, as outras frutas são utilizadas no mesmo ponto de consumo in natura.
As indústrias captam a fruta de três maneiras. Compram in natura e a preparam para ser misturada aos outros ingredientes do sorvete; adquirem de empresas que já fazem a higienização, tiram a casca e vendem congelada ou, ainda, diretamente de produtores que fabricam uma geleia especial da fruta. A segunda opção é a mais comum entre os fabricantes gaúchos. Na maioria dos casos, uma pasta saborizante é utilizada no processamento para corrigir o sabor da fruta, caso ela esteja no ponto exato de consumo.
Nichos de mercado ganham espaço
A mesma empresa está fazendo testes com sorvetes de frutas orgânicas. O fornecedor, a agroindústria Bellé, de Antônio Prado, viu nos sorveteiros um filão de mercado. Com 6 hectares das mais diversas frutas, a família vende a produção na feira de orgânicos da Redenção. Conforme uma das proprietárias, Franciele Bellé, a matéria-prima é vendida congelada, de 3 a 4 toneladas por ano, para produção de sorvetes e sucos. A novidade oferecida pela família são as frutas de mata nativa do Rio Grande do Sul, como a cereja gaúcha, uvaia, butiá e araçá. "Quem produz sorvete está aberto a inovar em relação às frutas. E como meu pai é muito criativo, pensou em frutas exóticas para a produção de sorvete orgânico. Todos os ingredientes devem ser livres de agrotóxico, desde o açúcar até o leite. Pretendemos lançar esse sorvete na Expointer", prevê.
Sorvete gaúcho
– São utilizadas RS 2,65 mil t de frutas por ano para fabricação de sorvete;
– Há dez anos, esse número não chegava à metade;
– O gaúcho consome 6,8 litros de sorvete por ano;
– São consumidos 88,4 milhões de litros por ano no Estado
– São 650 indústrias no Estado.
Fonte: Agagel
